10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi estabelecida em 2003, por iniciativa da Associação Internacional para a Prevenção ao Suicídio e Organização Mundial da Saúde (OMS), com vista a conscientizar as nações acerca da urgência na adoção de estratégias de precaução contra esta que é uma das principais causas de mortes não naturais no planeta. O Setembro Amarelo foi criado no Brasil, com o intuito de trazer mais visibilidade ao tema e reforçar sua relevância, resultado de iniciativa solidária do CVV Centro de Valorização à Vida, Associação Brasileira de Psiquiatria e Conselho Federal de Medicina. O mês de setembro tornou-se referência para ações de âmbito nacional voltadas a informar sobre causas, fatores de risco e prevenção, bem como impulsionar a divulgação do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Uma das principais causas de mortes
O suicídio figura entre as 20 maiores causas de mortes no mundo. Aproximadamente 700 mil vidas são interrompidas anualmente. Em média, uma morte a cada 40 segundos. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, 1 a cada 100 óbitos, incluindo todas as causas. No relatório intitulado Suicide Worldwide in 2019, a Organização Mundial da Saúde afirma que o suicídio é a quarta principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Embora o percentual de homens seja superior, os indicadores entre mulheres nesta faixa etária também são expressivos, especialmente nos países em desenvolvimento e naqueles de menor renda média (recursos financeiros familiares). O documento da OMS relata ainda uma redução dos números em algumas regiões do mundo, como Mediterrâneo Oriental, União Europeia e Pacífico Ocidental. Contudo, no período de 2000 a 2019, a alta do número de casos no Continente Americano foi de 17%.
Estratégias da OMS
Para apoiar os países em seus esforços de prevenção e cumprir a meta de redução em um terço nos números globais, a OMS criou uma abordagem batizada LIVE LIFE, com 4 estratégias principais:
– Identificação precoce, avaliação e acompanhamento de qualquer pessoa afetada por pensamentos ou comportamentos suicidas;
– Promover habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes;
– Orientar órgãos de comunicação de massa sobre a cobertura responsável do suicídio;
– Limitar o acesso aos métodos de suicídio.
O impacto no Brasil
No Brasil, 12 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. Trata-se da terceira principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Assim como no restante do Continente Americano, região do planeta que registrou a maior elevação do número de casos entre 2000 e 2019, o Brasil apresentou alta nas quantidades de óbitos por suicídio e de lesões autoinfligidas. Quanto ao indicador que compara o número de mortes autoprovocadas com o total da população, o Brasil teve um dos mais significativos aumentos da taxa dentre todos os países das Américas, portanto, uma das maiores elevações em termos percentuais do mundo. Os efeitos da pandemia podem produzir um agravamento do cenário, ao menos no curto prazo, haja vista a possível piora da saúde mental da população. Pesquisa recente encomendada pela Fiocruz indica aumento substancial dos sintomas de depressão. As pessoas entrevistadas informaram sentimentos constantes de tristeza e ansiedade.
Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma iniciativa singular que visa a multiplicar as ações de conscientização regularmente implementadas no período, em razão do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Mais tempo para que medidas e campanhas alcancem maior abrangência, sensibilizando mais pessoas sobre a relevância da causa. Um mês para refletir sobre saúde mental e para discutir formas de evitar que o caos emocional conduza à mais drástica das decisões. Para condicionar as pessoas a avaliarem seus sentimentos e daqueles com quem convivem.
A OMS estima em 90% os suicídios considerados evitáveis, ou seja, o desfecho seria diferente se houvesse atenção aos primeiros sinais de desequilíbrio emocional e auxílio adequado. As razões que culminam em morte autoprovocada são distintas entre as pessoas, mas o fato é que o suicídio não representa propriamente a vontade de desistir da vida, mas a intenção precípua de acabar com a dor e eliminar os problemas aparentemente sem solução. O Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio objetivam difundir a ideia de que é preciso proteger a si e ao próximo, não menosprezar os indícios da instabilidade emocional e conhecer os recursos de ajuda e como acessá-los.
Envolvimento
Órgãos como o CVV, a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina são difusores de campanhas voltadas à orientação e prevenção. Entidades públicas e privadas e organizações sociais atuantes nos mais diferentes segmentos promovem ações próprias, destinadas a colabotadores, parceiros de negócios, comunidades. Quem estiver vinculado a uma empresa ou associação deve se informar sobre a existência de projetos e medidas de aconselhamento na própria entidade. Quem não se sente diretamente atingido pelo problema pode se voluntariar para apoiar programas já existentes ou incorporar novos grupos de trabalho. Ao perceber alterações de comportamento que sugiram desequilíbrio na saúde mental, o correto é informar-se sobre os meios mais eficazes de auxílio. Nenhum indício deve ser subestimado.
A RMS é solidária à causa e a todos que desejam uma participação ativa na prevenção ao suicídio e valorização da vida. Encerramos com a frase de um filósofo contemporâneo que motiva a pensar sobre empatia e solidariedade às pessoas em situação de desesperança ou em desordem emocional: “o sofrimento de muitos pode não ser mais doloroso que o tormento de uma única alma”.
