A construção do conhecimento sobre medicina da mulher no Brasil remonta à década de 1830, época em que as escolas de saúde e cirurgia foram convertidas em cursos universitários. Médicos de reputação vinculados a instituições como a Faculdade do Rio de Janeiro e a Faculdade da Bahia ensinavam técnicas voltadas à ginecologia e obstetrícia. A consolidação como especialidade médica, ao menos no campo acadêmico, veio com reformas nas instituições de ensino superior ocorridas a partir de 1880. A Faculdade do Rio de Janeiro, por exemplo, instituiu a cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica. As primeiras maternidades-escola emergiram desse processo. No cenário atual, em face da maior abrangência dos serviços de saúde e considerando uma população de aproximadamente 110 milhões de mulheres brasileiras, a ginecologia figura como uma especialidade médica de grande relevância.
Pesquisa recente encomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia revelaram hábitos no que concerne aos cuidados com a saúde sexual e reprodutiva feminina. Dois terços das mulheres do Brasil consideraram a ginecologia a especialidade mais importante, sendo este profissional o seu médico de atenção para cuidados relativos à saúde de uma forma geral, não apenas de ordem ginecológica. 90% das mulheres pesquisadas indicaram frequência das consultas, sendo que metade delas procuram o especialista uma vez ao ano. Apenas 10% alegaram que só vão quando têm alguma suspeita de problema ou para tratar de um tema específico. Projetados esses percentuais para a totalidade da população feminina com 20 anos ou mais, concluímos que aproximadamente 84 milhões de mulheres brasileiras consultam ginecologista regularmente, sendo que 42 milhões o fazem ao menos uma vez por ano.
A pesquisa revelou que a média de idade da primeira consulta é 20 anos, por isso a referência para cálculo do total de brasileiras atendidas regularmente por ginecologistas. Quanto aos motivos da primeira visita ao médico, metade das mulheres pesquisadas apontou a prevenção, enquanto a outra metade indicou suspeita de gravidez, planejamento familiar ou problemas de saúde. Esses indicadores sugerem necessidade de melhoria e ao mesmo tempo um potencial de evolução a ser observado por educadores e médicos. Idealmente, mulheres deveriam iniciar consultas com um especialista a partir dos primeiros ciclos menstruais, sempre em caráter preventivo.
Os resultados da pesquisa indicaram aproximadamente 4 milhões de brasileiras que irão ao ginecologista pela primeira vez, considerando a população feminina atual com idade igual ou superior a 20 anos. Outro dado que revela quão promissora é a especialidade diz respeito à percepção da qualidade dos serviços prestados e nível de satisfação. Com relação aos quesitos confiança, aconselhamento e clareza das informações, 90% das brasileiras consultadas alegaram estar satisfeitas com os serviços dos profissionais. A consolidação do vínculo médico-paciente é fator decisivo na continuidade do acompanhamento.
Dentre as mulheres brasileiras pesquisadas que tiveram consultas ginecológicas, com frequência definida ou não, 60% são usuárias do Sistema Único de Saúde e 40% fazem uso de hospitais e clínicas particulares ou planos de saúde. Embora haja diferença percentual quanto à rede de atendimento, os indicadores apresentados nos parágrafos acima não variam entre os dois grupos. Os resultados da pesquisa induzem-nos a concluir que atividades relacionadas à ginecologia abarcam parcela significativa dos serviços de saúde e que há perspectivas de evolução dessa especialidade médica.
Quer saber mais sobre este ou outros assuntos? Você também pode sugerir um tema. Fale diretamente com a gente.
