“Difícil”; o adjetivo empregado pelo diretor-geral da OMS para 2022, em virtude dos impactos da crise global de saúde provocada pela Covid-19. Na retrospectiva do último ano, Tedros Adhanom afirmou que uma das mais importantes lições deixadas pela pandemia é a necessidade de melhorias nos sistemas de saúde dos países, com vista a vencer desafios atuais conhecidos e dispor de recursos para amenizar efeitos das contingências. Disse ainda que o mundo precisa de mais cooperação e menos competição no que concerne às iniciativas de enfrentamento das emergências. O diretor-geral da OMS disse ter esperanças de que o ano de 2023 seja de boas notícias relativas à Covid-19, ebola e varíola M (varíola dos macacos), esta também declarada emergência de saúde pública de interesse internacional, mas indicou a premência na adoção de medidas para fazer frente a velhos inimigos da saúde mundial.00
OMS sobre Covid-19, Ebola, Varíola M
A Organização Mundial da Saúde avaliará a possibilidade de declarar a suspensão do alerta de emergência internacional para a Covid-19. A doença, causadora da morte de 6,7 milhões de pessoas no mundo, não deixará simplesmente de existir, devendo ser administrada juntamente com outros males respiratórios já conhecidos. Quanto ao ebola, a OMS declarou formalmente, no início da semana passada, o fim de um dos piores surtos já vistos em Uganda. Com relação à varíola M, a redução superior a 90% no número de diagnósticos semanais motiva a entidade a avaliar a declaração de encerramento do alerta de emergência global.
Malária
Uma das preocupações dos dirigentes da OMS. Segundo o diretor-geral, há “estagnação” no combate à doença, especialmente no Continente Africano. Em 2022, o governo brasileiro lançou um plano nacional de erradicação que propõe reduzir o número anual de casos para menos de 68 mil até 2025, com quantidade zero em 2035. O número de diagnósticos tem gradativamente diminuído no país, com 137 mil em 2021. Ainda elevado, mas nem perto do cenário em alguns países africanos. Segundo a emissora estatal portuguesa RTP, Moçambique ultrapassou 9 milhões de casos em 9 meses do ano de 2022. Em 2023, o Brasil deverá testar vacinas contra o Plasmodium vivax, parasita causador do tipo de malária mais comum no país.
Tuberculose e HIV/AIDS
A Organização Mundial da Saúde espera evolução nas estratégias de combate, também consideradas estagnadas pelo diretor-geral da entidade. A tuberculose continua sendo a doença infecciosa mais mortal do mundo. Quanto à AIDS, registros recentes de 600 mil mortes anuais decorrentes de complicações da doença, 10 mil delas no Brasil. O número de novos diagnósticos no mundo em 2021 foi superior 1,5 milhão.
Doenças Tropicais Negligenciadas
Termo adotado pela Organização Mundial da Saúde para um conjunto de patologias há muito conhecidas, mas que ainda ameaçam as populações mais vulneráveis do planeta. Doenças como dengue, leishmaniose, esquistossomose, doença de Chagas e um grupo de parasitoses intestinais põem em risco 200 milhões de habitantes do Continente Americano. Segundo a OMS, orientação para condutas preventivas, acesso a meios para diagnóstico e melhorias nas condições de vida, especialmente quanto à saneamento e moradia, promoveriam avanços significativos. A dengue alcançou 1,5 milhão de casos no Brasil em 2022. A leishmaniose visceral é considerada endêmica em 12 países do Continente Americano, sendo que o Brasil concentra mais de 80% dos casos da América Latina, tendo o grau de letalidade acentuando-se nos últimos anos. A esquistossomose tem registros em mais de 50 países do planeta, sendo Caribe, Brasil e Venezuela os líderes no Continente Americano.
Pontos de Atenção
As crises que afetam o Continente Africano produzem quadros alarmantes no que concerne à desnutrição, saneamento, abastecimento de água e serviços básicos de saúde, condições propícias ao surgimento de epidemias de abrangência transnacional. Preocupam também as doenças não infecciosas e seus fatores de risco: doenças cardiovasculares, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade; principais causas de morte e incapacidade do planeta, fontes de sofrimento e imensos prejuízos à saúde pública.
