O Dia do Psicólogo e os desafios com a crise de saúde global

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Em 27 de agosto é celebrado o Dia Nacional do Psicólogo, homenagem prestada na data do aniversário da Lei 4119, do ano de 1962, primeiro dispositivo normativo destinado à regulamentação da profissão no Brasil. A Psicologia consolidou-se como ciência independente em 1879, época da fundação do Instituto de Psicologia em Leipzig (Alemanha) pelo professor Wilhelm Wundt. RMS parabeniza psicólogas e psicólogos pelo seu dia e aproveita para fazer uma análise do cenário estabelecido com a pandemia Covid-19 e da relevância do trabalho destes profissionais, em uma época singular da história humana.

Percepção dos efeitos da pandemia

O impacto produzido pelas primeiras notícias da disseminação do vírus em escala global caracterizou-se por uma combinação de surpresa e ansiedade. Surpresa diante da constatação de que não haveria meios imediatos para conter a doença, bem como pelo desenvolvimento de um cenário que parecia copiado de um roteiro cinematográfico. Ansiedade em razão da preocupação com a saúde pública, com o nível de resistência da economia mundial, o futuro, o sustento da família.

No auge da crise, medo e incerteza foram os sentimentos dominantes. As perspectivas existentes antes da pandemia foram substituídas pela sensação de falta de respostas e total insegurança quanto ao futuro. O receio de ser atingido pela tragédia e a dor dos que testemunharam o sofrimento das vítimas potencializaram a angústia. O confinamento pôs em causa as relações sociais, característica singular dos seres humanos. As divergências de opiniões sobre as formas de tratar o problema romperam ou estremeceram laços de amizade e familiares.

A evolução dos tratamentos e a descoberta de vacinas eficazes produziu um amálgama de euforia, esperança, negação e desconfiança. A sociedade, em momento de descompressão e ainda convalescente, vivencia uma mescla de retomada de antigos projetos e ajuste a novos parâmetros de vida e trabalho. Para muitos, momento de contabilizar os prejuízos da tragédia. Para outros, época de reflexão e de extrair as lições da crise.

Sob o ponto de vista da saúde mental, qual o saldo da crise?

Convivência forçada, isolamento social, violência doméstica, rompimentos familiares, desemprego, incertezas profissionais, dificuldades financeiras, luto. A sociedade desconhecia tamanha combinação de fatores aplicada em âmbito global, condição que produziu efeitos significativos na saúde mental. Pânico, depressão, ansiedade e sentimento de raiva passaram a ser relatados com frequência anormal. Pesquisa divulgada no periódico Jama Pediatrics, realizada com jovens de 18 anos ou menos, indicou que sintomas depressivos e sinais de ansiedade mais que duplicaram durante a pandemia. Consulta do Instituto Ipsos encomendada pelo Fórum Econômico Mundial revelou que 53% dos brasileiros sofreram piora considerável no bem-estar mental. Outra pesquisa de âmbito nacional, realizada pela Fiocruz, indicou que 40% da população adulta brasileira tem sentimentos constantes de tristeza e 50% alegaram sofrer de ansiedade.

Desafios para os profissionais

Durante a pandemia, psicólogos perceberam-se em um dilema que exigiu manobras de adaptação aos meios tradicionais de prática profissional: a demanda crescente por consequência dos impactos à saúde mental contra as limitações impostas pelas regras de biossegurança. A inserção de métodos de trabalho a distância produziu um efeito descrito como “falta de limites entre vida social, privada e profissional”. Horários de atendimento tornaram-se flexíveis a ponto de não se poder definir a fronteira entre tempo de trabalho e período de descanso. A necessidade de monitorar a evolução de quadros psíquicos levou psicólogos ao atendimento com uso de meios telemáticos pouco convencionais. As conferências por vídeo no ambiente doméstico permitiam que clientes e profissionais invadissem mutuamente e involuntariamente espaços pessoais.

As regras extraordinárias de biossegurança impunham adequações aos ambientes de atendimento presencial. Para quem aderiu ao teletrabalho, em alguns casos, a adaptação foi também impactante. Além de modificações de espaço físico, ter de lidar com a ansiedade gerada por não estar fisicamente próximo ao paciente, receio de prejuízos à análise do caso, de interrupções no atendimento por incidentes domésticos em qualquer dos lados e até de falhas na conexão de internet ou interrupção da energia elétrica. Psicólogos de diferentes segmentos foram e ainda são obrigados a ajustes e concessões para que o acompanhamento não seja comprometido. Transformações impostas em situação de incremento de demanda, devido ao impacto na população e ao esgotamento de profissionais de setores estratégicos como saúde e segurança.

Nova abordagem à saúde mental

A Organização Mundial da Saúde recomenda aos governos e instituições o reforço dos serviços destinados a cuidados com a saúde mental, notadamente por via digital, haja vista as cautelas ainda vigentes, a necessidade de maior alcance e a agilidade. A OMS sugere ainda atenção especial às famílias em condição de vulnerabilidade social, aos profissionais que desenvolvem atividades essenciais e trabalhadores que atuaram na primeira linha de combate à pandemia.  A expectativa é de incremento dos recursos voltados ao acompanhamento não presencial, com estruturação de novos modelos de intervenção psicológica em cenários de crise. Incontestável que a saúde mental galgou posições na escala de prioridades de gestores públicos, empresários e cidadãos, e que as transformações nos métodos de trabalho advindas da crise estabelecerão novos parâmetros para o exercício da profissão.

Por tudo isso e muito mais a RMS parabeniza todos os psicólogos pelo seu dia.  27 de agosto – Dia do Psicólogo.

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