Medicina Preventiva: vamos conversar?

Categoria: Blog, Para Clínicas, Para Médicos

A OMS define saúde como uma condição de bem-estar de ordem física, mental e social, mais do que apenas a ausência de doenças, e a medicina preventiva figura como recurso fundamental ao enquadramento nessa perspectiva abrangente. Medicina preventiva tem como premissas alta qualidade de vida e mitigação de impactos das ações corretivas. Objetiva evitar o desenvolvimento de enfermidades, e caso surjam, orientar o tratamento de forma a minimizar complicações. Práticas para manutenção da saúde, proteção das comunidades, educação e informação, diagnóstico atempado e precisão nas intervenções caracterizam a medicina preventiva. Esta modalidade trabalha com um conceito amplo de saúde, em consonância com a definição da OMS e que excede a relação médico-paciente individualizada e exclusivamente voltada à cura.

A medicina preventiva instiga profissionais, cidadãos e comunidade a adotarem posturas ativas no sentido da manutenção da saúde. A ação desta modalidade é estruturada em quatro níveis de aplicação, que abrangem desde a atenção ao indivíduo saudável até a mitigação dos traumas e danos de uma doença e o resguardo do paciente para que seja submetido apenas a intervenções oportunas e necessárias. No nível primário, atua-se com o intuito de evitar o desenvolvimento de patologias, combatendo agentes causadores e atenuando ou monitorando fatores de risco. Informação voltada à conscientização, orientações para adoção de atitudes saudáveis, medidas profiláticas de aplicação em contexto comunitário, incentivo ao monitoramento pessoal da saúde, medidas individuais e coletivas de controle de doenças infecciosas e imunização são recursos nesta etapa da medicina preventiva.

No nível secundário, a relação médico-paciente é mais estreita e individualizada. Monitoramento regular da saúde orientado por profissional e diagnóstico precoce caracterizam esta fase. O objetivo é identificar atempadamente as irregularidades. Senso de oportunidade e agilidade no tratamento ampliam as chances de sucesso no combate às doenças. No âmbito individual, incentiva-se frequência no acompanhamento médico, consulta voluntária com especialistas e exames de check-up e rastreio. No âmbito coletivo, controle epidemiológico e de enfermidades de incidência regionalizada são importantes recursos da medicina preventiva. O nível terciário é aplicável às situações em que a enfermidade é identificada em estágio não inicial. As ações visam a inibir o avanço da doença, atenuar sintomas e proporcionar melhorias à qualidade de vida do paciente. Atenção continuada e humanização do tratamento contribuem para a reabilitação. O quarto estágio da medicina preventiva relaciona-se à ética profissional, dignidade no tratamento e economia de recursos. Esta fase prevê que o paciente seja protegido de intervenções excessivas, sendo submetido a procedimentos de risco elevado ou com possibilidade de efeitos nocivos apenas quando inequivocamente necessário.

A medicina preventiva atenua custos da saúde pública, economiza recursos financeiros de empresas e famílias, mitiga os impactos dos diagnósticos tardios, protege os cidadãos e concorre para a conscientização de comunidades. Mais do evitar doenças, medicina preventiva verdadeiramente promove saúde e contribui para uma melhor qualidade de vida.

Compartilhe esse post