27 de julho é Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. A data foi criada em 2014, por iniciativa da Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço (IFHNOS), sendo reconhecida desde então pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e outras entidades nacionais de saúde. Em associação à data, com o intuito de ampliar o alcance das ações informativas, instituições mundiais passaram a celebrar também o “Julho Verde”, mês dedicado à conscientização acerca dos impactos do conjunto de doenças que integram este tipo de câncer. As campanhas vinculadas à celebração do Julho Verde e Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço visam a incutir na população o espírito da prevenção e a não negligência aos sintomas, por se tratar de um grupo de neoplasias malignas cujo obstáculo principal ao controle e tratamento é o diagnóstico tardio.
A expressão câncer de cabeça e pescoço faz referência ao conjunto de neoplasias malignas que atinge boca, palato, seios da face, amígdalas, faringe, laringe, esôfago, glândulas salivares, tireoide e cavidade nasal. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde, está entre os 10 com maior incidência no planeta, com meio milhão de casos diagnosticados anualmente. No Brasil, média superior a 40 mil novos diagnósticos todos os anos. Segundo o INCA – Instituto Nacional do Câncer, registra a segunda maior incidência entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de próstata. Somente os tumores na cavidade oral já ocupam o sétimo lugar em números de novos casos anuais de câncer. A maioria dos diagnósticos é do carcinoma epidermoide, originado a partir de alterações em células da mucosa da região da cabeça e pescoço.
Os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço são o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. A fumaça de cigarros, charutos, cachimbos e outros derivados do fumo contém mais de 70 substâncias cancerígenas. O calor transmitido para as mucosas durante a inalação também concorre para lesões. Cigarros de baixos teores não amenizam o problema. Quanto ao álcool, as bebidas destiladas produzem danos mais significativos aos tecidos, justamente pelo maior teor alcoólico. As duas práticas combinadas ampliam em dezenas de vezes as chances de desenvolvimento de algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. Infecção pelo HPV ou Papilomavírus Humano, comumente associado a doenças do aparelho reprodutor, também concorre para a formação de tumores malignos, especialmente na boca e faringe, sendo possivelmente o principal agente depois do fumo e do álcool. Exposição excessiva ao sol e leucoplasias orais integram a lista dos principais fatores de risco. A possibilidade de desenvolvimento de qualquer dos tipos de câncer de cabeça e pescoço é ampliada em pessoas com imunodeficiência ou que fazem uso de imunosupressores.
A celebração do Julho Verde tem como principal objetivo conscientizar sobre prevenção. Mais de 60% dos diagnósticos de câncer de cabeça e pescoço realizados atualmente são considerados tardios. Segundo especialistas, as chances de recuperação quando um tumor é diagnosticado precocemente chegam aos 90%. Na detecção em fase avançada, a taxa de sobrevivência não passa de 30%. O sobrevivente pode ainda apresentar graves sequelas, danos extensos na face e perda da voz. Com o avanço da doença, células tumorais alcançam os linfonodos cervicais e alastram-se através da corrente sanguínea, atingindo órgãos mais distantes. As recomendações, portanto, são para eliminar os fatores de risco e buscar o auxílio de profissionais que promovam o monitoramento regular da saúde. O fumo deve ser evitado e o consumo de bebidas alcoólicas precisa ser moderado. Ingestão diária de álcool não é aconselhável. Vacinação contra o HPV e proteção nas relações sexuais. A exposição direta à luz solar é benéfica à saúde, mas o excesso não pode acontecer. Cuidados com a higiene bucal são imprescindíveis. Manchas, sangramentos ou ferimentos de difícil cicatrização na mucosa da boca, gengivas e língua, rouquidão ou dor de garganta prolongada sem causa aparente, mudanças na voz, dificuldade para engolir e nódulos persistentes no pescoço devem ser investigados. Tumores de cabeça e pescoço costumam ter desenvolvimento lento, com surgimento de sintomas ainda em fase inicial, quando o tratamento tem boas chances de ser eficaz. Não ignorar os alertas é essencial.
