A criação do Dia Internacional da Mulher foi inspirada em movimentos dos anos 1910 que reivindicavam igualdade de condições no trabalho, direito a votar e ser eleita para funções públicas, mas também tinham como pauta o repúdio aos conflitos que culminariam na Primeira Guerra Mundial. Dentre as manifestações, o levante batizado de “Pão e Paz”, promovido em 8 de março de 1917, na Rússia, levou às ruas de São Petersburgo 90 mil operárias e contribuiu para o fim do regime imperial russo. Curiosamente, a Rússia experimenta um retrocesso em anos recentes, tendo líderes políticos e membros do judiciário atuado no sentido do abrandamento das penas por violência doméstica. Em 1977, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas emitiu a resolução que oficializou a celebração do Dia Internacional da Mulher em 8 março. Como forma de expressar respeito e carinho pelas homenageadas nesta data, a RMS relembra grandes contribuições de mulheres à medicina.
– Gertrude Belle Elion, Nobel de Medicina e Fisiologia do ano de 1988. Ao desenvolver métodos que possibilitavam interferir na replicação de células modificadas por agentes patogênicos, produziu verdadeira revolução na pesquisa de medicamentos. Seus estudos foram precursores das técnicas atuais de produção de fármacos por biologia molecular.
– Virgínia Apgar, médica norte americana que contribuiu para o aperfeiçoamento da obstetrícia e da pediatria, bem como para a consolidação da anestesiologia como especialidade. Responsável pela criação da neonatologia e do Teste de Apgar, primeiro método padronizado de análise da saúde do recém-nascido, colaborou notavelmente para a redução da mortalidade infantil.
– Nise da Silveira, médica brasileira que adotou métodos pioneiros orientados à humanização do tratamento psiquiátrico. Contrária ao isolamento compulsório e às práticas que julgava agressivas, como o eletrochoque e a lobotomia, Nise preferiu uma abordagem que promovia o acolhimento afetivo e respeitava a individualidade do paciente. Ela introduziu, no âmbito da psiquiatria brasileira, terapias revolucionárias envolvendo pintura, desenho, modelagem e interação com animais. Utilizou a expressão artística como ferramenta para a melhor compreensão da mente e das emoções do paciente. Nise produziu livros sobre seu trabalho e foi uma das fundadoras da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica.
– Patricia Era Bath, oftalmologista e pesquisadora norte americana que desenvolveu inovadores métodos cirúrgicos a laser para o tratamento da catarata. Bath foi a primeira mulher afro-americana a conseguir registro de patente por invenção com propósito médico. Ela criou e atuou em programas de oftalmologia comunitária envolvendo ceratoprótese e tratamentos de catarata que restauraram a visão de milhares de pessoas. Patricia Bath foi presidente do Instituto Americano para a Prevenção da Cegueira. Ela obteve 5 registros de patente, todos relacionados ao tratamento da catarata.
– Marie Curie, batizada Maria Sklodowska, física nascida na Polônia e radicada na França que conduziu pesquisas pioneiras acerca da radioatividade (expressão criada por Marie). Foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e também a primeira a ser nomeada professora de Física da Universidade Sorbonne. Desenvolveu técnicas para isolar isótopos radioativos e foi responsável pela descoberta dos elementos químicos Polônio e Rádio. Sob a supervisão de Marie Curie foram conduzidos os primeiros estudos para tratamento do câncer com uso de isótopos radioativos. O Instituto Curie, fundado por Marie, tornou-se um importante centro de pesquisas médicas. Desenvolveu unidades de radiografia móveis para os hospitais de campanha da Primeira Guerra Mundial. Marie Curie continua sendo a única mulher e uma das poucas pessoas a ganhar dois Nobel ( Física e Química).
– Zilda Arns Neumann, nascida no interior de Santa Catarina e formada em medicina pela Universidade Federal do Paraná, especializou-se em pediatria e saúde pública e desenvolveu importantes trabalhos voltados ao atendimento de crianças em condição de vulnerabilidade. Defensora veemente da educação como ferramenta de prevenção a doenças, dedicada a projetos relacionados à vacinação e combate à desnutrição, Zilda Arns e seus apoiadores colaboraram para a redução dos indicadores brasileiros de mortalidade infantil. A Pastoral da Criança, entidade por ela coordenada e da qual foi cofundadora, prestou assistência a milhões de crianças e suas famílias desde o início das atividades em 1983. Zilda Arns foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
– Letitia Mumford Geer, norte americana nascida em 1852, inventou a seringa que aplica medicamentos por meio de pistão, modelo utilizado até os dias atuais. A patente da invenção foi registrada no ano de 1899. A criação de Letitia visava a facilitar o trabalho de médicos e profissionais de enfermagem, haja vista a possibilidade de operar o instrumento com uma única mão.
