Escolher racionalmente uma especialidade

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O percentual de especialistas no Brasil é superior a 60% do total de médicos e médicas em atividade. Quase 2/3 dos profissionais em exercício são detentores de certificado de registro de qualificação de especialista, e embora não haja obrigatoriedade, obtê-lo está sempre nos planos de recém graduados e estudantes de medicina. Todos os anos, centenas de ofertas de cursos de especialização ou programas de residência possibilitam a obtenção de um título em uma das 55 especialidades reconhecidas no Brasil. A RMS produziu este conteúdo não para orientar sobre o melhor meio, mas para sugerir alguns parâmetros que permitam uma escolha racional.

Primeiramente, considere seus temas de interesse; optar por algo que se aprecia é sempre recomendável. Importante que uma nova formação, em qualquer ramo de atividade, seja útil e compensadora, mas não seja um fardo. Na atualidade, adaptações constantes, incertezas e pressões para cumprimento de metas ditam o ritmo das profissões, e um profissional não é capaz de se sobressair em tal contexto sem gostar minimamente do que faz. Avaliar mercado e oportunidades é recomendável, mas é imprescindível ter apreço pelo tipo de trabalho que executa, neste caso, que pretende executar.

Avalie suas aptidões e reflita sobre possíveis rumos a elas mais ajustados. Pense sobre habilidades inatas ou desenvolvidas e quais alternativas para melhor aplicação das mesmas. Que tipo de formação/especialidade potencializaria conhecimentos que já são o seu diferencial? Pode tentar, por exemplo, elaborar sua própria matriz de competências, para melhor perceber fortalezas e pontos de melhoria, comparando-os às opções que tem em vista. O método pode conduzir a uma associação racional entre aptidões e alternativas de carreira. Na matriz, inclua também elementos comportamentais e relacionais relevantes. Conhecimentos, habilidades e atitudes, estes os fatores que podem determinar sua adequação ou inadequação a certos segmentos profissionais.

Ponderar sobre a possibilidade de deixar seu local de moradia, não apenas para cursar uma especialização ou integrar uma residência médica, mas também para exercer a especialidade pretendida. O Brasil apresenta hoje uma razão entre o número de médicos e a população semelhante a países como Canadá e Reino Unido, maior que a do Japão. Entretanto, a distribuição em território nacional é desigual, condição que influencia as possibilidades de emprego do profissional recém especializado. Considerar mover-se pelo país poderá direcionar sua escolha, por exemplo, a locais com maior oferta de vagas para residência ou menor relação candidato/vaga. Poderá também optar por uma especialidade que ofereça boas chances de colocação e compensações interessantes, bons recursos de trabalho, sentido de realização profissional, mas fora da sua região de morada. Caso o afastamento da sua terra natal ou local onde é radicado, mesmo que temporariamente, esteja fora de questão, suas opções serão limitadas ao que gerar oportunidades perto de casa.

Uma análise financeira é importante, não apenas sobre o investimento na formação, mas também meios de subsistência e custo de oportunidade (o que deixa de ganhar enquanto investe tempo e esforço nos estudos). Finalizando, considerar as possíveis compensações financeiras e outros benefícios advindos do futuro trabalho como especialista também é determinante, mas não pode ser o único motivador. A busca por sentimentos de realização com a carreira nos move a todos, e nem sempre dinheiro e bens são as melhores métricas para avaliar os resultados dos esforços. O trabalho deve proporcionar vida digna, conforto e satisfação pelas vitórias obtidas. Qualquer especialidade médica os proporcionará, se a escolha for bem fundamentada. Benefícios adicionais com a carreira também estão ao alcance de quem tomar decisões racionais e trabalhar com afinco.

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