Em 2 de dezembro é celebrado o Dia Pan-americano da Saúde, estabelecido pela OPAS Organização Pan-americana da Saúde, agência internacional criada no ano de 1902. No Brasil, a data foi oficializada através do Decreto 8.289, de 2 de dezembro de 1941. A OPAS é a entidade internacional de saúde mais antiga do mundo em atividade e opera como representante regional da OMS. O intuito ao propor a data era mobilizar os países para a adoção de medidas de prevenção das doenças típicas do continente. Com o passar dos anos, os objetivos do Dia Pan-americano da Saúde foram ampliados e outros temas incluídos: conscientização acerca de cuidados gerais com a saúde física e mental; prevenção contra doenças transmissíveis e enfermidades crônicas não transmissíveis; bem-estar e melhoria da qualidade de vida.
A saúde no continente americano
No ano de 2019, a OPAS publicou um relatório contendo dados sobre a saúde no continente americano, atualmente com população pouco superior a 1 bilhão de pessoas, mais de 80% delas habitando zonas urbanas:
– A expectativa de vida atual é de 80,2 anos para mulheres e 74,6 para homens;
– O número de óbitos em 2018 por todas as causas, incluindo as não naturais, foi de 7 milhões, sendo 164 mil de crianças;
– 8% dos recém-nascidos apresentam peso insatisfatório (abaixo de 2500 gramas), percentual pouco inferior à média mundial;
– 10% das crianças com cinco anos de idade ou menos sofrem de desnutrição crônica;
– A mortalidade infantil no Brasil é de 13 para cada mil nascidos vivos, próxima da média da América Latina e Caribe; muito abaixo dos mais de 100 do Afeganistão, Somália, Nigéria e Chad, mas superior à média europeia de 3,5 para cada grupo de mil;
– Aproximadamente 6 mil mulheres morrem na América anualmente por causas relacionadas à gravidez;
– Há 18 médicos, 59 enfermeiros e 6,7 dentistas para cada grupo de 10 mil habitantes do continente; na Europa, são 36 os médicos para cada 10 mil;
– Em 2017, a América Latina e o Caribe registraram um total de 580 mil casos de dengue, sendo 44% deles no Brasil; a malária atingiu 569 mil pessoas, 129 mil destas em território brasileiro; no mesmo período, o Brasil notificou 90% dos casos de hanseníase na região, com 28 mil das 31 mil ocorrências;
– Na América Latina e no Caribe, 61 mulheres em cada grupo de mil são mães adolescentes, número consideravelmente superior aos países com indicadores sociais mais favoráveis; no Canadá e nos Estados Unidos, por exemplo, são 18 mães entre 15 e 19 anos para cada grupo de mil mulheres;
– A taxa de novos casos de tuberculose é de 35 para cada 100 mil habitantes; na quase totalidade dos países europeus, a taxa não chega a 20 por grupo de 100 mil pessoas.
O avanço das doenças não transmissíveis
Em anos recentes, entidades de saúde no continente americano, inclusivamente a OPAS, têm direcionado suas atenções ao avanço das doenças não transmissíveis e seus elevados números de mortalidade. O relatório acima mencionado acerca da saúde nas Américas apresenta indicadores preocupantes sobre fatores de risco: 64% dos homens e 61% das mulheres têm sobrepeso ou obesidade (considerando a população adulta); 40% dos adultos não praticam atividades físicas com regularidade; a hipertensão arterial afeta 21% dos homens e 15% das mulheres; diabetes mellitus atinge 9% dos homens e 8% das mulheres. A taxa de mortalidade por doenças não transmissíveis é de 427 por grupo de 100 mil habitantes, 7 vezes maior do que nas doenças transmissíveis que é de 60 óbitos para cada grupo de 100 mil. Cardiopatias, acidentes vasculares cerebrais e tipos variados de câncer são as principais causas de mortes no continente. Estes indicadores justificam as orientações de órgãos de saúde para a intensificação das ações voltadas à prevenção e diagnóstico precoce. Doenças crônicas não transmissíveis podem ser provocadas ou agravadas por fatores como os mencionados acima e por vezes, apresentam longos períodos de latência, resultando em detecção tardia nas pessoas que não têm por hábito consultar regularmente o médico.
Prevenção é tema constante
No intuito de reduzir a mortalidade e assegurar vida saudável e produtiva aos cidadãos do continente americano, a Organização Pan-americana da Saúde busca conscientizar os comandos das nações, as instituições e a população para a adoção de políticas e práticas preventivas. Inicialmente direcionadas ao combate das principais endemias que assolavam a região, campanhas como o Dia Pan-americano da Saúde evoluíram para uma abordagem mais abrangente da condição geral de bem-estar das comunidades, haja vista as significativas mudanças decorrentes do processo de urbanização e da revolução no universo do trabalho. Vacinação, saneamento básico e universalização dos sistemas de saúde continuam relevantes para a OPAS, mas outras preocupações tornaram-se também temas para mobilização: fatores de risco para doenças não transmissíveis; cuidados com a saúde mental e efeitos do estresse; atenções ao período gestacional; cuidados com a saúde sexual; prevenção das doenças de ordem laboral.
Para a RMS, a relevância dos cuidados rotineiros, do acompanhamento médico regular e do diagnóstico precoce merece reforço constante, e o Dia Pan-americano da Saúde é uma excelente oportunidade para reiterar o nível elevado de prioridade que deve ser concedido às ações de prevenção. Percebemos a necessidade de políticas públicas e empenho das instituições na proteção à saúde, mas entendemos também que ações positivas estão ao alcance de todos, basta começar a praticar. Adotar hábitos saudáveis, evitar o fumo e os excessos alcoólicos, cuidar da saúde mental e da saúde sexual, manter boas práticas de higiene e limpeza são escudos contra doenças. Procurar espontaneamente serviços médicos e estabelecer uma frequência para as consultas é essencial, pois, algumas vezes, buscar auxílio apenas quando se percebe algum sintoma não é suficiente. Difundir a importância das condutas preventivas tem sido uma das ferramentas da OPAS no combate às enfermidades que afetam o continente americano. Que a celebração do Dia Pan-americano da Saúde consolide a ideia da prevenção como prática cotidiana.
