26 de junho é Dia Nacional do Diabetes Mellitus, iniciativa do Ministério da Saúde para reiterar a importância do diagnóstico e dos cuidados essenciais aos diabéticos e pessoas em condição de pré-diabetes. A celebração reforça também a necessidade de ações de caráter geral para manutenção da saúde e bem-estar, com vista à longevidade e qualidade de vida. Conhecida possivelmente há 3500 anos, apenas na segunda metade do século XIX é que o Diabetes foi associado ao pâncreas e substâncias pelo órgão produzidas. O termo Diabetes Mellitus faz referência a um grupo de doenças caracterizado pela elevação dos níveis de glicose presente no sangue. Considerando que alguns tipos são extremamente raros, o Diabetes Mellitus refere-se na prática a duas enfermidades com causas diferentes, mas com características semelhantes no que concerne à concentração da glicose no sangue. Na semana do Dia Nacional do Diabetes Mellitus, a RMS publica este conteúdo com o intuito de incentivar os cuidados preventivos, de forma a diagnosticar e tratar atempadamente o diabetes, mas também como uma contribuição à preservação da saúde dos leitores.
Sobre diabetes mellitus
Diabetes Mellitus caracterizam-se pela elevação dos níveis de glicose no sangue, em decorrência da ausência ou insuficiência da insulina, substância produzida no pâncreas responsável pela transferência da glicose do sangue para o interior das células, onde pode servir de fonte de energia. Há dois tipos principais de disfunções classificadas como diabetes mellitus: o tipo 1 caracteriza-se pela destruição no pâncreas das células produtoras da insulina; no tipo 2, o organismo desenvolve resistência à insulina, que mesmo em quantidades normais, não é suficiente para as necessidades do corpo. Em ambos os casos, a glicose em níveis irregulares compromete significativamente a saúde do paciente, caso não sejam cumpridas as diretrizes do tratamento proposto pelo médico ou médica. O tipo 1 costuma manifestar-se cedo, ainda na infância ou juventude. Embora o tipo 2 seja comumente associado a adultos e idosos, nos anos recentes, tem crescido o número de pessoas com menos de 30 anos que o desenvolvem. O tipo 2 é mais comum, superior a 90% dos casos de diabetes mellitus diagnosticados. A condição classificada como “pré-diabetes” acontece quando há risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2, nos casos de glicemia em jejum entre 100 mg/dl e 125mg/dl, detectada através de exame de sangue. O quadro merece atenção por especialista e cuidados por parte da pessoa avaliada. Há outras doenças classificadas como diabetes, mas o termo “mellitus” é aplicado exclusivamente às alterações que envolvem insulina e elevação da glicose.
Diabetes mellitus dos dois tipos principais podem lesionar vasos sanguíneos e resultar em acidentes vasculares cerebrais. Alterações não apenas nos vasos sanguíneos, como também no coração podem acarretar doenças cardíacas severas. Outro efeito do diabetes, a retinopatia diabética pode provocar cegueira. Doenças renais crônicas são comuns nos casos não tratados devidamente. Problemas circulatórios e no sistema nervoso periférico podem resultar em amputações. Autoridades de saúde brasileiras estimam mais de 200 mil mortes diretamente relacionadas ao diabetes mellitus no Brasil, apenas no ano de 2021.
Um pouco da história do diabetes
– O Papiro de Ebers, documento produzido por volta de 1550 antes de Cristo, encontrado em Tebas, no Egito, em 1862, descreve uma doença que provavelmente é um tipo de diabetes mellitus.
– Arateus de Capadócia foi o primeiro a adotar o termo “diabetes”. Ele viveu na Grécia, por volta do ano 100 depois de Cristo. Também foi o primeiro a descrever os sintomas como hoje conhecemos.
– Foi no século VI que dois pesquisadores indianos concluíram que havia 2 tipos de diabetes: um associado a pessoas de mais idade e outro que acometia jovens, sendo este de progressão rápida e muito letal.
– O médico inglês Thomas Willis foi o primeiro a utilizar a expressão “mellitus”. O termo deriva da palavra mel, haja vista o alto teor de glicose na urina. Ele viveu entre os anos de 1621 e 1675.
– Em 1776, o fisiologista inglês Matthew Dobson publicou resultados de seus experimentos, esclarecendo que o diabetes não era uma doença renal. Ele demonstrou que a glicose já estava no sangue antes de chegar à urina. Foi também responsável por desenvolver métodos para comprovar a existência de glicose sem que os médicos precisassem provar o sangue ou a urina do doente.
– Em 1869, o patologista alemão Paul Langerhans apresentou resultados de um estudo sobre regiões do pâncreas que receberam posteriormente o nome de Ilhotas de Langerhans. Ele descobrira as células responsáveis pela produção da insulina.
– Apenas em 1889 concluiu-se definitivamente que a origem do diabetes mellitus estava associada a uma substância produzida no pâncreas, a partir das experiências dos alemães Oskar Minkowski e Joseph Von Mering.
– Em 1922, os pesquisadores Frederick Banting, John Macleod, Charles Best e James Collip relataram o primeiro tratamento bem-sucedido com o uso de insulina processada em laboratório. Posteriormente, foi também reconhecido o mérito do fisiologista romeno Nicolae Paulescu, pelo alcance de resultados positivos com o uso de insulina não humana, no ano de 1921. Paulescu chamava a substância de Pancreína.
Diabetes merece muita atenção
A Federação Internacional de Diabetes estima que 537 milhões de pessoas no mundo com idades entre 20 e 79 anos apresentam um dos tipos classificados como mellitus. No Brasil, ao final de 2021, eram 16 milhões e meio de cidadãos e cidadãs portadores, também entre 20 e 79 anos. O crescimento do número de casos no país foi superior a 26%, em apenas 10 anos. O custo estimado para tratamento dos efeitos da doença no Brasil é o terceiro maior do planeta, ficando atrás apenas de Estados Unidos e China. A entidade estima também que 5 milhões de brasileiros e brasileiras são diabéticos e ainda não sabem. Somente em 2021, 214 mil pessoas morreram no país em decorrência do diabetes mellitus. Ainda segundo a Federação Internacional de Diabetes, os números expressivos no Brasil devem-se principalmente à obesidade, sedentarismo e hábitos alimentares indevidos.
Há meios para controle do diabetes mellitus, de maneira que se tenha boa qualidade de vida. Entretanto, os efeitos podem ser gravíssimos se não houver acompanhamento adequado e disciplina nos cuidados recomendados. Diagnosticar cedo o diabetes é fundamental e está ao alcance de todos. O médico ou médica regularmente consultada pode solicitar exames para detecção da doença. Quem procura voluntariamente um profissional para monitoramento constante da saúde poderá facilmente identificar um quadro de pré-diabetes do tipo 2. O seguinte conjunto de sintomas deve ser investigado com brevidade, pois pode indicar um quadro de diabetes já consolidado: vontade constante de urinar, aumento da fome e da sede, sonolência constante, náuseas sem causa aparente. Quanto aos cuidados, estilo de vida saudável também se aplica ao diabetes mellitus. Evitar o fumo e o excesso de bebidas alcoólicas, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividades físicas regulares e zelar pela qualidade do sono são boas medidas de prevenção e de contenção da doença.
