Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial

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O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial acontece anualmente a 26 de abril. A data foi instituída pela Lei 10.439, publicada em abril de 2002, com o intuito, conforme descrito no artigo 1° da norma, “de conscientizar a população sobre o diagnóstico preventivo e o tratamento da doença”. A inclusão em calendário oficial reflete a preocupação das autoridades de saúde brasileiras e a intenção de estabelecer uma referência para enfoque do tema. Parcela significativa da população do país é acometida de hipertensão arterial. Dentre os milhões de hipertensos brasileiros, um considerável percentual sequer desconfia do fato de ter desenvolvido a doença. Mesmo com diagnóstico, há quem não exerça o devido controle e monitoramento, vindo a sofrer consequências severas ao longo dos anos. Os efeitos da hipertensão arterial não controlada produzem grande número de vítimas e afetam seriamente o sistema de saúde. Contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, principal causa de mortes e incapacidades permanentes no país. A lei que institui o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial prevê a criação de campanhas educativas voltadas ao incentivo do diagnóstico atempado e para informar sobre os efeitos nefastos da doença.

As medidas

O método adotado para aferição da pressão arterial registra duas medidas: a pressão máxima ou sistólica, associada à força de contração do músculo cardíaco; a pressão mínima ou pressão da diástole, relativa à resistência imposta pelas vias circulatórias que promovem a irrigação dos tecidos e órgãos. A hipertensão caracteriza-se pela elevação e manutenção da pressão arterial (registros das duas medidas) em níveis superiores ao aceitável, devido a contrações, obstruções ou lesões das vias circulatórias. Este aumento da pressão nas artérias e ramificações pode ter causa desconhecida ou resultar de uma doença já identificada (problema renal, disfunção hormonal, tumor). A condição impõe maior esforço ao coração e compromete o suprimento de sangue de órgãos e tecidos. Sem o tratamento devido, artérias e ramos arteriais sofrem lesões irreversíveis que prejudicam o bombeamento do sangue e tornam-se suscetíveis a obstruções de maior gravidade. Vasos sanguíneos nos rins perdem a elasticidade e tornam-se mais espessos, reduzindo a eficiência da função renal, interferido na eliminação de toxinas e ocasionando retenção de líquidos. O músculo cardíaco é sobrecarregado e a nutrição de órgãos e tecidos do corpo fica comprometida.

A hipertensão no Brasil

Autoridades e entidades de saúde brasileiras estimam que 30% de toda a população sofre de hipertensão arterial. Possivelmente, metade destes milhões de brasileiros não sabem que desenvolveram a doença ou não exercem o monitoramento devido. A hipertensão é o principal fator de risco para acidentes cardiovasculares, maior causa de mortes no Brasil, responsável por 300 mil óbitos todos os anos. Autoridades de saúde pública brasileiras estimam que a hipertensão esteja relacionada com 60% de todos os casos de infarto agudo do miocárdio, 80% dos acidentes vasculares cerebrais e 25% dos quadros de insuficiência renal crónica. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem de hipertensão arterial e 10 milhões de mortes anuais estão diretamente relacionadas à doença. No Brasil, a maioria dos casos não tem causa conhecida, ou seja, a elevação da pressão arterial não resulta de outra doença anteriormente identificada. Esta condição sugere que grande parte dos quadros de hipertensão no país resultam de pré-disposição ou do estilo de vida e hábitos pouco saudáveis. Pessoas com histórico familiar da doença têm chances elevadas de também a desenvolver. Sedentarismo, tabagismo, alimentação rica em sódio, obesidade ou sobrepeso e consumo excessivo de sal são agentes que podem desencadear ou agravar a hipertensão.

Monitorar sempre

Parte considerável dos casos de hipertensão arterial sem causa determinada são assintomáticos. Pessoas nesta condição, quando começam a apresentar sintomas, podem já ter sofrido sério comprometimento da saúde. Portanto, fundamental que adultos monitorem a pressão arterial e tenham acompanhamento médico regular. Aqueles com ascendentes (país e avós) hipertensos devem adotar conduta mais vigilante. O mesmo se aplica a pessoas com sobrepeso ou histórico de diabetes. Ao avançar da idade, o monitoramento deve ser ainda mais intenso, pois a hipertensão tem estreita relação com o processo de envelhecimento. Quem sentir dor de cabeça, dor na nuca, palpitações, tonturas, enjoos, falta de ar e alterações da visão, não havendo causa aparente, deve procurar auxílio médico. Estes podem ser sintomas da hipertensão, ainda em desenvolvimento ou já instalada e não diagnosticada. Quanto à prevenção, estilo de vida voltado a preservar a saúde é sempre indicado: evitar o fumo e o abuso de bebidas alcoólicas; dieta equilibrada, fartura em alimentos não processados ou minimamente processados, com pouco consumo dos itens ricos em sódio; dormir bem e aproveitar momentos de lazer que amenizem a ansiedade e o estresse. Se a hipertensão tem causa definida, nunca descuidar do tratamento. Atividade física regular é muito importante, assim como regularidade nas visitas médicas de caráter preventivo. Caso haja diagnóstico, disciplina no tratamento. A hipertensão arterial não impede que se tenha uma vida normal, desde que adotados os cuidados devidos. Quando não tratada, torna-se um inimigo extremamente perigoso e potencialmente letal.

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