Em 20 de outubro é celebrado o Dia Mundial e também o Dia Nacional da Osteoporose. O Dia Mundial da Osteoporose foi proposto pela Sociedade Britânica de Osteoporose e pela IOF International Osteoporosis Foundation, com o intuito de alertar para esta grave enfermidade que torna os ossos frágeis, evolui de forma discreta, muitas vezes percebida apenas quando ocorrem as primeiras fraturas, gera sofrimento, incapacidades e perda de autonomia para milhões de idosos. A OMS, por considerar a osteoporose a principal doença óssea metabólica do mundo, passou a reconhecer e apoiar a data. As entidades públicas e privadas de saúde no Brasil também adotam o 20 de outubro como dia de conscientização sobre os cuidados e diagnóstico precoce da osteoporose. Milhões de brasileiros com mais de 50 anos de idade são acometidos da doença que é incapacitante e produz impactos significativos à qualidade de vida.
Compreendendo a osteoporose
A osteoporose origina-se do desequilíbrio entre degradação e reconstituição, processos que ocorrem naturalmente e que asseguram a renovação do tecido ósseo, conhecida como “remodelação”, necessária a restaurar microlesões e garantir a manutenção das funcionalidades da matriz óssea. Quando a reconstituição não é equiparada ao nível da degradação, há redução da densidade óssea, fragilização do tecido e vulnerabilidade a fraturas. Mesmo após a constituição da estrutura óssea com a interrupção do crescimento do indivíduo, os processos responsáveis pela renovação dos ossos permanecem ao longo da vida. Há um conjunto de células que promove a eliminação de áreas de tecido a ser substituído, chamadas osteoclastos, enquanto outro conjunto, os osteoblastos, preenche os espaços com tecido renovado, produzido principalmente a partir de cálcio, absorvido com auxílio da vitamina D, e uma parte não mineralizada, aproximadamente 30% da matriz óssea, constituída essencialmente de Colágeno Tipo 1. Nas pessoas com osteoporose, a degradação da massa óssea é muito mais intensa que a reconstituição, acarretando redução da densidade e suscetibilidade a fraturas.
Aproximadamente 95% dos diagnósticos são da osteoporose primária, quando não há uma doença precursora que afeta a reposição de tecido ósseo. 5% são da osteoporose secundária, quando esta é na verdade uma consequência de uma enfermidade anterior que compromete a reconstituição da matriz óssea. Doença de Cushing, hipertireoidismo, hipogonadismo, artrite reumatoide e alguns tipos de câncer são exemplos de doenças que conduzem ao desenvolvimento da osteoporose secundária. Há também uma osteoporose idiopática, extremamente rara, de causa ainda desconhecida e que acomete inclusive jovens. Com a evolução da doença, fraturas podem decorrer de pequenos impactos. Pulsos e antebraços são lesionados a partir de pequenas quedas. Lesões nas vértebras provocam deformidades, como desvios na coluna semelhantes à cifose (corcunda). Problemas nos quadris e fêmur comprometem a capacidade de locomoção.
Osteoporose no Brasil e no mundo
Estimativas das entidades internacionais de saúde indicam 200 milhões de pessoas com osteoporose no mundo. No Brasil, o total de casos ultrapassa 10 milhões. Entretanto, pode o número ser ainda mais expressivo, pois há quem desconheça já sofrer da enfermidade, atribuindo dores e desconforto a outros fatores não devidamente investigados. Estimativa da ISF International Osteoporosis Foundation, uma das criadoras do Dia Mundial da Osteoporose, sugere que o Brasil já alcançou 20 milhões de pessoas com a doença. A instituição acredita que os diagnósticos na população masculina são pouco superiores a 10% do verdadeiro total de casos.
Uma entre quatro mulheres após a menopausa desenvolve a doença. Nos homens, 1 a cada 8 com mais de 65 anos. Os hormônios sexuais desempenham papel preponderante na remodelação óssea. O tecido conta com receptores de estrogênios, nas mulheres, e testosterona nos homens. A redução significativa dos estrogênios no período pós-menopausa e de testosterona nos homens maiores de 65 anos desequilibra a atuação de osteoclastos e osteoblastos, conduzindo à redução da massa óssea. Uma em cada cinco mulheres que desenvolvem osteoporose correm risco de sofrer até mais de uma fratura em um mesmo ano. Mulheres normalmente têm massa muscular menos significativa que os homens, assim como apresentam um declínio mais acentuado nos níveis de hormônios sexuais, por isso o maior número de casos e a evolução mais precoce da doença.
Cuidados com a saúde e diagnóstico da osteoporose
Considerando a informação um dos mais valiosos recursos na proteção à saúde, a RMS transmite orientações de caráter preventivo e voltados à identificação atempada da osteoporose. Leia, reflita e partilhe este conteúdo.
– Dieta equilibrada e diversificada, com fartura de alimentos ricos em cálcio, vitamina D e vitamina K. Orientações de um especialista podem solucionar deficiências de ingestão dessas substâncias, recorrendo à suplementação, caso necessário.
– Exposição direta ao sol, diariamente se possível, regula a absorção da vitamina D, essencial na prevenção. Necessário que parte considerável do corpo esteja em contato direto com a luz solar, por isso, braços e pernas sem a cobertura de tecidos. Deve-se evitar a exposição excessiva.
– Exercícios físicos são sempre recomendados, especialmente se precedidos de avaliação médica e física. Atividades sob luz solar direta ou que promovam fortalecimento da massa muscular, ainda melhor. Para quem já desenvolveu quadro de osteoporose, exercícios melhoram a qualidade de vida, mas devem ser realizados mediante orientação profissional criteriosa.
– Pessoas muito magras devem ter atenção especial às recomendações acima. Quanto maior o suporte de massa muscular, melhor a ação preventiva. Alimentação balanceada, exposição ao sol e acompanhamento médico criterioso são imprescindíveis.
– Fumo é sempre inimigo, por isso, ideal evitar. Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, moderação. O álcool pode ter influência sobre a degradação do tecido ósseo e o fumo potencializa fatores de risco.
– Atenção à qualidade do sono. Irregularidades no repouso podem afetar os níveis dos hormônios sexuais, fundamentais à remodelação óssea. Impactam também na produção de colágenos, inclusivamente o Tipo 1, importante constituinte da matriz óssea.
– O acompanhamento médico regular é sempre recomendado. Qualquer suspeita de deficiência na ingestão de cálcio e vitamina D, bem como dificuldades de exposição adequada ao sol deve ser comunicada, para a devida orientação profissional.
– Atenção aos seguintes sinais nos idosos e mulheres após a menopausa: redução da estatura; dores constantes nas costas; modificação na curvatura das costas; dores difusas e constantes, sem causa aparente. Pessoas com histórico familiar de osteoporose, com diagnóstico de disfunção na tireoide ou com longo histórico de consumo de corticoides devem ser mais precavidas. Atenção especial às mulheres com menopausa precoce.
– Mulheres em período pós-menopausa e homens com mais de 65 anos devem ser submetidos à avaliação criteriosa, após a ocorrência de fratura.
– Adotar medidas para mitigar os riscos de quedas no ambiente doméstico, grandes causadoras de fraturas em pessoas com limitações de locomoção.
