Dia Mundial do Médico de Família e Comunidade

Categoria: Blog, Para Médicos

Em 19 de maio é celebrado o Dia Mundial do Médico de Família e Comunidade. A data teve sua primeira celebração em 2010, proposta pela instituição formalmente denominada World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians, entidade colaboradora da OMS comumente chamada Organização Mundial de Médicos de Família, criada em 1972, representativa de profissionais atuantes em 130 países. Desde então, a homenagem anual prestada a 19 de maio exalta o trabalho destes especialistas voltado ao bem-estar dos núcleos familiares e comunidades, bem como sua relevância para o sistema de saúde. Há também um Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade, comemorado em 5 de dezembro, data de fundação, no ano de 1981, da SBMGC Sociedade Brasileira de Medicina Geral Comunitária, futura Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Na mesma época, a Comissão Nacional de Residência Médica reconheceu a Medicina Geral Comunitária como especialidade. Posteriormente, a especialização foi também renomeada Medicina de Família e Comunidade. Os médicos de família e comunidade são importantes promotores da Atenção Primária à Saúde, definida pela OMS como “cuidados essenciais baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente fundamentadas e socialmente aceitáveis, de alcance universal a indivíduos e famílias”. A RMS homenageia estes profissionais e sua valorosa contribuição no contexto da assistência à saúde nacional, desta vez, pela celebração da data de âmbito internacional.

Medicina de família e comunidade

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade clínica voltada à proteção e recuperação da saúde de pessoas e seus grupos de interação imediata. O indivíduo é compreendido no âmbito de sua estrutura familiar e comunitária, sendo influenciado por estas, mas também atuando como agente modificador. A doença é avaliada em suas componentes fisiológicas, psicológicas e socioambientais, com percepção das influências do meio no processo de recuperação e na difusão de práticas preventivas. A imersão no contexto social do paciente humaniza e individualiza o atendimento, propicia conhecimento abrangente dos fatores que interferem na evolução dos quadros de saúde, conduz a diagnóstico assertivo, com otimização de tempo e recursos. O especialista em Medicina de Família e Comunidade exerce um modelo de atendimento continuado caracterizado por estreita relação medico-paciente. Concorre para a inclusão de cidadãos no âmbito da assistência à saúde, viabiliza o acesso a cuidados básicos, soluciona problemas com mínimo comprometimento de recursos, orienta e encaminha casos que exijam intervenção de outros especialistas.

Medicina de família e comunidade no Brasil

Os primeiros programas de residência em Medicina de Família e Comunidade, então denominada Medicina Geral e Comunitária, iniciaram atividades em Porto Alegre, Vitória de Santo Antão (Região Metropolitana do Recife) e Rio de Janeiro. Em 1981, foram formalmente reconhecidos pela Comissão Nacional de Residência Médica e no ano de 2002, a especialidade recebeu a denominação atual. Segundo a mais recente edição do relatório Demografia Médica, publicado em dezembro de 2020, havia no Brasil 7149 títulos de especialização em Medicina de Família e Comunidade. O documento, produzido pelo Conselho Federal de Medicina e pela USP Universidade de São Paulo, indicava que a quantidade de especialistas em MFC representava 1,7% do total de médicos no Brasil com pelo menos uma especialização no período do estudo. O número informado no Demografia Médica sugere a existência de 3,35 médicos de família e comunidade para cada grupo de 100 mil habitantes. Comparativamente, nas especialidades de Clínica Médica e Pediatria são respectivamente 22,9 e 20,4 profissionais para cada 100 mil. No que concerne à distribuição pelo território nacional, o relatório demonstrou maior concentração nas regiões Sudeste e Sul, com 73% dos especialistas em MFC atuando nos 7 estados que abrigam 55% do total da população brasileira. Entidades do setor de saúde estimam que o número ideal de especialistas em Medicina de Família e Comunidade para o Brasil é de 70 mil, dadas as características demográficas e territoriais do país, portanto, quase 10 vezes maior que a quantidade de profissionais em atividade no ano de 2020.

Atuação abrangente e continuada

O médico de família e comunidade oferece mais do que auxílio em situações pontuais de risco à saúde. O trabalho deste profissional é desenvolvido no contexto familiar e comunitário do paciente, prestado de forma continuada, considerando o quadro geral de saúde e fatores de ordem social e cultural. O especialista em MFC intervém para diagnosticar e tratar, mas também para educar no sentido da prevenção. O atendimento estende-se aos grupos de pessoas próximas ao paciente que influenciam e sofrem influência no processo de tratamento, de maneira que haja menor impacto à dinâmica familiar e para promover condutas coletivas que favoreçam a recuperação. A abordagem do médico de família e comunidade abrange aspectos variados que concorrem para o restabelecimento da saúde e bem-estar, prestando um serviço direcionado ao indivíduo, mas com reflexos significativos no núcleo familiar e comunitário.

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