Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas 

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O Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas acontece anualmente em 15 de setembro. A data foi proposta em 2004 pela Lymphoma Coalition e adotada desde então como referência pelas entidades de saúde mundiais. A efeméride tem por objetivo alertar a população para a importância do diagnóstico precoce, bem como difundir informações sobre as características deste grupo de doenças e seus principais sintomas, de maneira a viabilizar a identificação atempada de quadros dignos de investigação. No mundo, aproximadamente 735 mil novos diagnósticos acontecem todos os anos. No Brasil, 15 mil novos casos são diagnosticados anualmente. Os dois grupos principais de linfomas são doenças classificadas como câncer. Dividem-se em mais de 70 subtipos conhecidos, todos com boas chances de cura quando diagnosticados precocemente. Estima-se que 70% da população mundial desconhece os linfomas e suas características. Embora tenha crescido o número de diagnósticos em pessoas com mais de 60 anos, crianças e adultos jovens também podem ser acometidos.

Sistema imunológico e linfoma

Uma fração da parte celular do sangue é constituída por linfócitos, componentes essenciais do sistema imunológico humano. Este grupo de células subdivide-se nos tipos T, B e NK, cada um com funções específicas voltadas a produzir anticorpos e eliminar microrganismos, células anômalas, bactérias, substâncias estranhas à corrente sanguínea e células atacadas por vírus ou outros parasitas intracelulares. Os linfócitos concentram-se ou circulam através de uma complexa rede de vasos e estruturas que compõem o sistema linfático: órgãos linfoides, linfonodos (pontos de aglomeração de linfócitos também conhecidos como gânglios linfáticos), vasos, ductos e capilares linfáticos. São os recursos de defesa do corpo humano contra agentes invasores. O linfoma acontece quando linfócitos sofrem mutações que os desabilita como meio de defesa e os torna nocivos. Não combatidos, passam a se multiplicar e disseminar pelo organismo. O sistema imunológico fica comprometido. Pode haver comprometimento da medula óssea e o déficit de imunoglobulinas deixa o paciente suscetível a graves infecções. Linfomas podem contribuir para o desenvolvimento de outros tipos de neoplasias malignas. Ainda são desconhecidas as causas dos linfomas, mas especialistas não descartam origens de ordem genética e viral.

Tipos de linfomas

Linfomas são classificados em dois tipos principais: linfomas de Hodgkin e linfomas não-Hodgkin. 85% dos linfomas não-Hodgkin originam-se dos linfócitos tipo B. Os demais 15% caracterizam-se pela presença de linfócitos tipo T ou NK modificados. As células alteradas não desempenham funções no sistema imunológico, tornam-se nocivas ao organismo e começam a se multiplicar. Inicialmente aglomeradas dentro de um mesmo linfonodo, as células anômalas acabam por se disseminar pelo sistema linfático e por vezes acumulam-se em órgãos extranodais (não linfáticos). Possível encontrar células de linfoma na medula óssea, baço e fígado, assim como estômago, nasofaringe, intestino, tireoide, pulmões. A classificação linfoma de não-Hodgkin abriga dezenas de doenças diferentes e representa 80% do total de casos diagnosticados. As células cancerígenas apresentam características variadas. O linfoma de Hodgkin tem origens ainda não totalmente conhecidas. Anteriormente chamado Doença de Hodgkin, caracteriza-se pela presença de células de um tipo padrão, grandes e facilmente identificáveis chamadas células Reed-Sternberg. O linfonodo onde estiverem concentradas essas células apresenta aumento considerável de tamanho. Aproximadamente 20% dos casos de linfomas são classificados como Hodgkin. Linfomas representam o segundo tipo de câncer mais comum entre portadores do vírus HIV. São elevados os índices nos grupos de pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico. O uso de imunossupressores, condição dos receptores de órgãos transplantados, é fator de risco, assim como a exposição a herbicidas, pesticidas e benzeno. Pessoas que têm parentes de primeiro grau diagnosticados com linfoma devem ficar atentos a sintomas e ser mais cuidadosos quanto ao acompanhamento médico regular.

Diagnóstico precoce, sempre o melhor caminho

Os linfomas apresentam elevados índices de cura, quando rapidamente diagnosticados. Os sintomas descritos a seguir podem ser indícios de alguma anormalidade no sistema linfático, por isso, deve-se procurar orientação médica imediatamente:

– Perda de peso sem causa aparente;

– Fadiga sem motivo determinado;

– Suor excessivo durante o período de sono;

– Oscilações da temperatura corporal sem razão aparente;

– Linfadenopatia, aumento do tamanho do linfonodo (gânglio); percebe-se um volume semelhante ao que chamamos de “íngua”, normalmente no pescoço, sobre a clavícula, na axila ou na virilha; esse tipo de íngua não é dolorosa e continua a crescer mesmo que a pessoa não apresente qualquer sinal de infecção;

– Alguns pacientes podem desenvolver anemia;

– Há tipos de linfomas que provocam lesões na pele, inclusive no couro cabeludo.

O Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas tem o objetivo de difundir mensagem de alerta às pessoas sobre a importância de monitorar a própria saúde, não prescindir de acompanhamento médico regular e buscar auxílio especializado logo que alguma irregularidade for detectada, precauções válidas não apenas para os linfomas. São cuidados que devemos manter para conosco e com as pessoas de nosso convívio.

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