31 de maio é Dia Mundial de Combate ao Fumo, também intitulado Dia Mundial sem Tabaco. Criado pela OMS em 1987, tem por objetivos conscientizar a população acerca dos efeitos nocivos do tabagismo e dissuadir da utilização do tabaco em qualquer das suas apresentações, não exclusivamente o cigarro. As iniciativas vinculadas à celebração do Dia Mundial de Combate ao Fumo objetivam também alertar a população para a existência de estruturas de auxílio na luta contra a dependência. Primordialmente, desencorajar o consumo dos derivados do tabaco. Para quem já é fumante e busca uma rota de saída, orientar sobre mecanismos de apoio e recuperação. No Brasil, há também um Dia Nacional de Combate ao Fumo, inserido em calendário oficial pela Lei 7488 de 1986, celebrado desde então a 29 de agosto. Além do dispositivo normativo que criou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, duas importantes leis entraram em vigor posteriormente, com vista a desestimular o consumo e mitigar os impactos à saúde pública, amparadas nas reivindicações de médicos e autoridades de saúde: Lei 9294 de 1996, voltada a regular a propaganda de cigarros; Lei 12546 de 2011, que modifica a Lei 9294 e proibe o fumo em ambientes fechados de estabelecimentos públicos e privados.
Maior causa evitável de mortes
Anualmente, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, 8 milhões de pessoas morrem em decorrência do tabagismo. Para compreender a dimensão do problema, uma comparação: a doença arterial coronariana, maior causa de óbitos no mundo, produz pouco mais de 9 milhões de vítimas fatais. Os dados da OMS indicam que ocorre uma morte no mundo a cada 4 segundos, como resultado do hábito de fumar. O fumo é a maior causa evitável de mortes do planeta. A instituição estima ainda que um terço de toda a população adulta seja fumante, uma epidemia de proporções mundiais, com prejuízos significativos aos sistemas de saúde e economia global. Considerado pela OMS uma doença respiratória, no que concerne à saúde, o tabagismo é um dos mais destrutivos hábitos da história humana. No Brasil, aproximadamente 400 pessoas morrem diariamente em decorrência do fumo. Diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica produzem os números mais significativos de vítimas fatais e incapacidade permanente.
Conduta autodestrutiva
Dentre as substâncias absorvidas ao fumar, a nicotina é o elemento principal a desencadear dependência. Menos de 20 segundos após consumida e seus efeitos começam a ser percebidos pelo cérebro. O uso contínuo de produtos que contêm nicotina leva ao consumo compulsivo e a falta da substância produz síndrome de abstinência, como em qualquer outro tipo de dependência. A nicotina conduz ao vício, mas há outros compostos nocivos. O cigarro, por exemplo, expõe o usuário a aproximadamente 4000 substâncias tóxicas, algumas dezenas delas comprovadamente cancerígenas.
Dezenas de enfermidades estão associadas ao fumo, dentre elas alguns tipos de câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias obstrutivas crônicas. O tabagismo pode levar à impotência sexual masculina e contribuir para a infertilidade feminina. Aumenta consideravelmente o risco de acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Pode provocar ou agravar doenças do aparelho digestivo e inflamações bucais severas. Contribui para o agravamento do diabetes e osteoporose. Potencializa o risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla e Alzheimer. Substâncias tóxicas presentes nos derivados do tabaco podem causar câncer de boca, traqueia, esôfago, estômago, rins, bexiga e colo do útero. Cerca de 90% dos pacientes com câncer de pulmão são fumantes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) estima que o tabagismo associado ao consumo de bebidas alcoólicas aumenta em 20 vezes a chance de desenvolver algum tipo de câncer. O fumante passivo também sofre consequências severas: a OMS estima que das 8 milhões de mortes anuais vinculadas ao tabagismo, 1 milhão seja de pessoas que convivem longos períodos com fumantes regulares; o risco de desenvolver doença cardíaca é ampliado em até 30%, em comparação com pessoas não expostas à fumaça de derivados do tabaco.
Opte pela vida
O Dia Mundial de Combate ao Fumo presta-se também a transmitir esperança àqueles que almejam eliminar o hábito e reverter os efeitos do período como fumante. Deixar de fumar antes dos 40 anos reduz significativamente as chances de morte por doenças relacionadas ao tabaco. Após um ano sem fumar, o risco de infarto do miocárdio corresponde à metade de um fumante regular. Decorridos 5 anos sem consumo de tabaco, as chances de desenvolver os tipos de câncer mencionados nesta publicação reduzem-se em 50%, e de acidente vascular cerebral são quase as mesmas de alguém que nunca fumou. Decorridos 10 anos, os riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves e câncer do aparelho respiratório são praticamente os mesmos de alguém que nunca consumiu nenhuma forma de tabaco. Quando o fim do tabagismo vem acompanhado de modificações de estilo de vida, prática de atividades físicas orientadas e hábitos saudáveis, os efeitos do tabaco ficam definitivamente no passado. Faz-se uma opção pela vida e pela autopreservação, sentido contrário da autodestruição.
Quem cogita deixar de fumar deve procurar orientação médica acerca das opções de tratamento. Pode ser o profissional de acompanhamento regular ou médico especificamente contatado para tal finalidade. Há programas com eficácia comprovada, disponíveis na rede pública e nos sistemas privados de assistência à saúde. A RMS espera que esta publicação sensibilize leitores, para que aproveitem a celebração do Dia Mundial de Combate ao Fumo e optem pela vida, abandonando o tabagismo.
