Estamos em pleno Novembro Azul, o Mês de Conscientização da Saúde do Homem, movimento criado em 2003 para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce de doenças da população masculina. O Novembro Azul representa a extensão do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, origem das campanhas voltadas a incentivar condutas preventivas de saúde. 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, é, portanto, o ponto alto do movimento, data referência na luta contra esta que é uma das mais mortíferas doenças do universo masculino, primeira colocada em incidência mundial dos tipos de câncer que afetam exclusivamente esta parcela da população. As ações e campanhas neste período visam a combater a resistência dos homens às medidas de caráter preventivo, especialmente a busca voluntária por assistência médica, comportamento que retarda diagnósticos, amplia os riscos e agrava os efeitos das enfermidades.
Incidência do câncer de próstata
O câncer de próstata é o segundo mais mortal dentre todos os tipos que afetam a população masculina. É o quarto em incidência mundial, considerando todos os diagnósticos de câncer, em ambos os sexos. No Brasil, em média 65 mil novos casos são diagnosticados por ano. Para 2022, são estimados mais de 66 mil. Em incidência na população masculina brasileira, perde apenas para o câncer de pele não-melanoma. Acredita-se que 3 milhões de homens no país vivam com a doença. No mundo, a média recente foi superior a 1,2 milhão de novos casos anuais. Em 2020, os diagnósticos ultrapassaram a marca de 1 milhão e 300 mil. O número anual de mortes de brasileiros é superior a 15 mil, aproximadamente 42 óbitos por dia.
Tipos e características
95% dos tumores malignos da próstata são classificados como adenocarcinomas, sendo os demais 5% resultantes de tipos mais raros, como o sarcoma da próstata, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma ductal transicional. As células tumorais inicialmente se desenvolvem em uma região específica da próstata, mas com o avanço da doença alcançam ambos os lobos da glândula e a cápsula que a reveste, podendo chegar à vesícula seminal e tecidos vizinhos. As células malignas podem afetar o linfonodo e alcançar a circulação sanguínea, disseminando-se por outros órgãos do corpo. Tumores mais volumosos produzem sintomas urinários como ardor, jato fraco e gotejamento após micção. Com o agravamento do quadro, pode haver dor ao urinar, presença de sangue na urina, dores pélvicas e inchaço das pernas. 75% dos diagnósticos de câncer de próstata ocorrem após os 60 anos de idade. Entretanto, percentual considerável dos tumores leva anos, até mais de uma década para alcançar volume capaz de manifestar sintomas, embora a doença já se desenvolva. Sinais mais nítidos de anomalia na próstata por vezes são percebidos apenas quando a enfermidade se encontra em estágio avançado.
Progressão silenciosa
A progressão silenciosa característica da maioria dos tumores malignos da próstata impõe à população masculina acompanhamento médico regular e consultas com especialista em caráter profilático. Por esta razão, as ações informativas do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata e do Novembro Azul visam especialmente a conscientizar para o risco que representa a rejeição às medidas de monitoramento preventivo da saúde. Embora diagnosticados em sua maioria após os 60 anos, grande parte dos tumores da próstata começam a se desenvolver anos antes, época em que um exame de PSA (antígeno prostático), solicitado em uma consulta preventiva, poderia detectar alterações em fase inicial. Detectado em estágio inicial, são fartos os recursos para tratamento e elevadas as chances de sucesso. O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata serve principalmente para sensibilizar a população masculina de que é imprescindível vencer a resistência e procurar auxílio médico para orientações e ações de prevenção.
Superar o receio de ir ao médico
No que diz respeito ao câncer de próstata, não há consenso sobre fatores de risco, não se pode indicar comportamentos específicos que ampliam ou reduzem as chances de desenvolvimento. A melhor medida mesmo contra o câncer de próstata é o acompanhamento médico regular, para detecção de anomalias assintomáticas quando em fase inicial. É fundamental monitorar a saúde e consultar um especialista, especialmente os homens com 50 anos ou mais.
Cuidados importantes
Hábitos saudáveis são sempre bem-vindos na prevenção de qualquer doença e o câncer de próstata não é diferente: cuidados com alimentação, evitar excesso de bebidas alcoólicas, não fumar, praticar exercícios físicos regulares, higiene do sono. A obesidade pode ser um fator de risco e embora não seja totalmente comprovado, vale cuidados especiais. Histórico de doenças sexualmente transmissíveis também merece atenção. Pesquisas recentes sugerem que diabéticos tendem a desenvolver tumores mais agressivos, por isso, monitoramento da glicemia é importante. Afrodescendentes devem ser mais cuidadosos quanto à frequência ao médico, pois registros indicam a incidência de tumores mais agressivos nesta parcela da população. O mesmo cuidado se aplica a quem tem casos da doença na família: 25% dos homens com diagnóstico positivo têm histórico familiar.
