O Dia Mundial de Combate à Tuberculose foi criado com o intuito de conscientizar a população sobre a gravidade da doença e os riscos do diagnóstico tardio. A data 24 de março foi proposta em 1982, pela Organização Mundial da Saúde, em virtude da celebração de 100 anos do anúncio da identificação da bactéria causadora da enfermidade, pelo médico Heinrich Robert Koch. Causada pelo agente patogênico batizado Mycobacterium tuberculosis, também denominado Bacilo de Koch, referência ao pesquisador que o descobriu, a tuberculose já foi chamada de “tísica pulmonar” e “peste branca”. Presente entre humanos desde a Antiguidade, estima-se que no período compreendido entre os anos 1700 e 1900, um bilhão de pessoas tenham morrido em decorrência da doença. Atualmente, apesar de curável, a tuberculose continua sendo a doença infecciosa que mais mata no planeta. Na semana em que é celebrado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a RMS publica este conteúdo com o objetivo de alertar para a importância da rápida detecção de uma das mais mortais enfermidades conhecidas.
A cura é descoberta no século XX
Acredita-se que a tuberculose já causava vítimas há 4 mil anos atrás. Há registros que indicam grande número de óbitos entre gregos e outras sociedades anteriores ao nascimento de Cristo, contudo, apenas no início do século XIX foi identificada como uma doença única. O médico alemão Johann Lukas Schoenlein foi o primeiro a adotar a expressão “tuberculose”, por volta de 1840. Em 1882, o médico também alemão Heinrich Robert Koch identificou a bactéria causadora da doença, e em 1890, na tentativa de produzir um medicamento, Koch desenvolveu um recurso para diagnóstico da tuberculose. Posteriormente, ele recebeu o Prêmio Nobel de Medicina pelas descobertas relacionadas à enfermidade. A vacina até hoje utilizada como meio de prevenção foi criada por dois cientistas franceses, que anunciaram sua produção em 1921. Os pesquisadores Léon Calmette e Alphonse Guérin desenvolveram o imunizante a partir de uma versão modificada da bactéria causadora da tuberculose bovina. A substância foi batizada Bacilo de Calmette e Guérin, por isso a sigla BCG da vacina aplicada em recém-nascidos. Somente por volta de 1940 surgiram os 2 primeiros tratamentos verdadeiramente eficazes contra a doença, valendo aos seus desenvolvedores, os pesquisadores Gérard Domagk e Selman Waksman, o Prêmio Nobel de Fisiologia. Nos anos 1950, uma nova geração de medicamentos tornou possível tratar com eficácia portadores de formas mais resistentes da bactéria.
Transmissão, sintomas e diagnóstico da tuberculose
1 milhão e 200 mil pessoas morrem por ano de tuberculose no mundo. Em 2020, foram mais de 1 milhão e 500 mil. É a doença infecciosa mais mortal e a principal causa de óbitos entre os portadores do vírus HIV. A OMS estima que um quarto de toda a população do planeta detém a Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch, a bactéria causadora. Potencialmente, todos podem desenvolver a doença e infectar outras milhões de pessoas. Considerada no passado uma enfermidade típica de boêmios e também associada à promiscuidade, foram os pesquisadores acima mencionados que possibilitaram a correta compreensão da tuberculose: uma doença infecciosa transmitida por via respiratória, que compromete principalmente os pulmões, mas que pode afetar outros órgãos e tecidos como os rins e a meninge. A transmissão acontece quando gotículas de secreções expelidas pelo aparelho respiratório e que contêm a bactéria, principalmente quando o doente tosse ou espirra, são inaladas por uma pessoa saudável. É possível desenvolver a doença através do consumo de leite não pasteurizado, desde que o animal esteja infectado pelo patógeno na versão bovina.
22 países registram mais de 80% de todos os casos de tuberculose do planeta. O Brasil está incluído nesta lista, liderada pela Índia. Os sintomas comumente apresentados por quem desenvolve a doença são: perda de peso sem causa aparente; sensação permanente de cansaço; febre diária baixa, porém duradoura; tosse persistente, com duração de semanas, podendo apresentar sangue em caso de agravamento; suor noturno. Algumas pessoas podem desenvolver inchaço de gânglios no pescoço. Quando os sintomas não são tão pronunciados, pode ser confundida com uma gripe persistente, condição que potencializa o risco de disseminação da doença: cada paciente com tuberculose não tratada pode infectar até 15 pessoas, em um período de poucas semanas. Embora o simples exame físico não possibilite diagnóstico preciso, há meios de detecção fácil da tuberculose. A radiografia de tórax e a baciloscopia direta (análise de secreção do aparelho respiratório) permitem rápida identificação da presença da bactéria no organismo. Raros casos de difícil diagnóstico podem exigir uma biópsia, mas a detecção da doença é assegurada por algum dos tipos de exame mencionados.
Tratamento e cuidados
80% das pessoas que desenvolvem a doença alcançam a recuperação total em um período de 6 meses de tratamento.15 dias de aplicação correta dos medicamentos são suficientes para o paciente deixar de transmitir a tuberculose. O tratamento deve ser seguido com disciplina e cumprimento integral das orientações médicas, haja vista o desenvolvimento de cepas resistentes às terapias convencionais decorrente de irregularidades ou interrupções indevidas no uso dos medicamentos. Apenas o médico que dirige o tratamento pode determinar a interrupção e confirmar a cura.
Quem desenvolver sintomas como os mencionados neste texto deve procurar auxílio médico, seja o profissional de acompanhamento regular ou serviço de saúde disponível, evitando agravamento do quadro e disseminação da bactéria. Mais atentos devem ficar aqueles que convivem com pessoas portadoras de enfermidades capazes de comprometer o sistema imunológico, pois o contato com a bactéria pode resultar em cenários de difícil reversão. A tuberculose é perigosa, mas facilmente detectável e também curável, desde que não haja descuido.
