Dia Mundial de Combate à Asma

Categoria: Blog, Para Clínicas, Para Hospitais, Para Médicos

O Dia Mundial de Combate à Asma é celebrado anualmente na primeira terça-feira do mês de maio, desde 1998. A data foi proposta pela Global Initiative for Asthma da Organização Mundial da Saúde, com o intuito de ampliar a divulgação de conteúdo informativo sobre a doença e mecanismos de controle, bem como conscientizar acerca da importância do diagnóstico atempado. Neste ano de 2022, o Dia Mundial de Combate à Asma será comemorado em 3 de maio. Embora incurável, os efeitos da asma podem ser mitigados, permitindo vida plena à pessoa diagnosticada, desde que sejam cumpridos os cuidados médicos recomendados. A doença não é contagiosa, tendo sim uma forte componente genética. Existe também um Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado a 21 de junho, estabelecido pelo Ministério da Saúde. A data coincide com o início do solstício de inverno, período em que as condições climáticas agravam os sintomas e provocam elevação dos números de hospitalização.

A asma é uma doença crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas inferiores, desencadeada por um padrão de reação dos brônquios a estímulos que podem ter diferentes origens: inalação de substâncias irritativas, alimentos, variações climáticas, alérgenos, medicamentos, infecções, exercícios físicos. Os brônquios inflamados promovem uma obstrução que compromete o fluxo de ar nos pulmões. Durante uma crise asmática, a inflamação conduz ao estreitamento das vias respiratórias e seus consequentes sintomas: opressão torácica (aperto no peito), dispneia (falta de ar, sensação de respiração incompleta), tosse normalmente seca e sem outra causa aparente, sibilância (chiado no peito), respiração curta e rápida. A heterogeneidade é uma característica desta doença: embora semelhantes, os sintomas variam muito de intensidade por pessoa, idade e/ou estímulo; pode surgir na infância, mas há também a asma de início tardio, manifestada apenas na vida adulta. Quanto a intermitência das crises, há pacientes que permanecem períodos consideráveis sem sintomas, alguns apresentam sinais respiratórios nítidos quase diariamente e algumas pessoas sofrem efeitos apenas como resultado de esforços. Quanto ao agente causador ou estímulo, a asma pode ser alérgica, ocupacional (não há sintomas quando o doente está distante do ambiente de trabalho), não alérgica ou induzida por exercícios físicos (crises exclusivamente após atividades físicas).

O Brasil é o 8° país do mundo em prevalência da asma. Aproximadamente 9,5% de toda a população brasileira desenvolveu a doença, um total de 20 milhões de pacientes. Estima-se que 10% dos habitantes do planeta são portadores do traço genético, mas a quantidade de pessoas acometidas de fato é de 340 milhões, portanto, 4,3% da população global. Os números sugerem que quase 6% de todos os casos ativos de asma no mundo estão em território brasileiro. Figura entre as 4 maiores causas de hospitalização no Sistema Único de Saúde, considerando todas as faixas etárias, ultrapassando os 350 mil atendimentos anuais. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a taxa de prevalência entre adolescentes alcança 20%, portanto, uma a cada cinco pessoas com menos de 18 anos. A entidade estima que apenas 13% do total destes jovens pacientes têm a asma verdadeiramente controlada.

A asma é incurável, mas os recursos para tratamento são fartos e podem proporcionar alta qualidade de vida. Há consideráveis casos em que os sintomas cessam na fase adulta, mas há também situações em que a inflamação persistente das vias aéreas provoca limitação permanente do fluxo respiratório. Atenção especial aos idosos, pois os sintomas podem ser confundidos com outros quadros de saúde ou mesmo com as limitações para atividades físicas impostas pelo avanço da idade. Portanto, acompanhamento médico e disciplina nos cuidados são fundamentais, em qualquer fase da vida. O tratamento da asma é individualizado, tendo em vista sua heterogeneidade, razão pela qual não se deve prescindir da orientação profissional. Algumas medidas adotadas pelos próprios pacientes e pessoas próximas são bastante eficazes: ambiente doméstico e local de trabalho limpos e organizados evitam o acúmulo de alérgenos que podem servir de gatilhos para crises; cuidado no manuseio de químicos como desinfetantes, produtos de limpeza, combustíveis, desengordurantes, e preferencialmente, manter-se longe de substâncias cujos efeitos ao paciente são desconhecidos; manutenção preventiva dos equipamentos de climatização e ventilação; higiene de colchões e roupas de cama; não fumar e evitar aproximar-se de locais onde pessoas regularmente fumam; contatar o médico de acompanhamento regular sempre que verificar alteração nos sintomas; higiene e hábitos saudáveis são sempre bem-vindos e servem de suporte ao tratamento.

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia propõe que todo asmático disponha de um plano de emergência para crises, prevendo ações de controle domiciliar e recursos para resgate e transporte hospitalar, baseado em orientações do profissional de saúde que assiste regularmente o paciente. A asma é a doença crônica que registra maior quantidade de casos anualmente. Embora controlável, merece atenção por parte de pacientes e familiares. Em média, 250 mil pessoas morrem por ano no mundo em decorrência de complicações da asma. Diagnóstico precoce e atenção às recomendações médicas são excelentes ferramentas de combate, pois os agravamentos dos quadros estão quase sempre associados à baixa adesão ao tratamento ou negligência dos cuidados prescritos.

Compartilhe esse post