Dia da Saúde Mental

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A Organização Mundial da Saúde publicou um relatório sobre saúde mental no planeta, documento originalmente intitulado World Mental Health Report – Transforming mental health for all. O relatório divulga números sobre doenças mentais, consequências para a saúde pública, impactos econômicos, ameaças globais à saúde mental, mas também trata da importância de políticas preventivas e de uma necessária evolução na abordagem do tema, com mais discussão sobre recursos de assistência e esforços para eliminação dos estigmas. Em 10 outubro, é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental, proposto em 1992 pela Federação Mundial para a Saúde Mental (World Federation for Mental Health) e reconhecido pela OMS. A celebração visa a conscientizar populações sobre a relevância na observação do estado mental e percepção de indícios de anormalidades, bem como sensibilizar autoridades públicas para a adoção de políticas e implantação de estruturas de assistência, inclusive cuidados emergenciais. A data serve também como referência para campanhas anti-estigmatizantes e que incentivem solidariedade. Segundo a OMS, uma a cada oito pessoas no planeta apresenta algum tipo de transtorno mental, incluindo 14% de todos os adolescentes do mundo. Tais números merecem atenção e a RMS convida para uma reflexão a respeito.

Doença mental no mundo

Alguns indicadores extraídos do relatório sobre saúde mental publicado pela OMS:

– uma a cada oito pessoas no mundo tem algum tipo de transtorno mental, quase 1 bilhão de habitantes do planeta;

– a depressão atinge quase 300 milhões de pessoas, 29% do total de casos de doença mental no mundo;

– o transtorno de ansiedade também atinge quase 300 milhões de pessoas no mundo;

– no Brasil, a depressão afeta 16 milhões de pessoas maiores de 18 anos, 10% do total desta parcela da população brasileira;

– transtornos mentais, notadamente a depressão, podem estar associados a 90% dos suicídios consumados e tentativas; 1 a cada 100 óbitos no mundo é resultado de suicídio;

– no mundo, inclusivamente o Brasil, casos de depressão e ansiedade podem ter aumentado em 25% durante a pandemia;

– 71% dos casos de psicose no mundo não contam com assistência especializada;

– apenas 2% dos orçamentos voltados à saúde são destinados à assistência aos transtornos mentais;

– 14% de todos os adolescentes do planeta têm algum transtorno mental;

– transtornos mentais figuram como principal causa de incapacidade temporária no mundo;

– pouco mais de 30% das pessoas com depressão no mundo recebem cuidados formais de saúde mental; em alguns países de baixa ou média renda, a cobertura não passa de 3%;

– 15% dos casos graves de depressão podem resultar em suicídio tentado ou consumado;

– discriminação e violações de direitos humanos contra pessoas com transtornos mentais são comuns em comunidades por todo o mundo, independentemente de nível de renda e instrução.

Cuidar da saúde mental

A tristeza é inerente ao indivíduo impactado por situações desfavoráveis, luto, frustrações, prejuízos, mas não é natural que perdure sem causas nítidas, explicáveis. A recorrência ou longa duração do estado de tristeza pode ser um indício preocupante. Alterações de humor frequentes, mudanças no comportamento, apatia, sentimentos constantes de inutilidade ou culpa são sintomas que merecem atenção. Modificações no padrão de sono e dificuldades de concentração, normalmente acompanhadas de sonolência diurna ou cansaço excessivo, podem ser sinais iniciais de um quadro psíquico. Estados de ansiedade também devem ser observados, especialmente quanto a motivos, frequência e reações físicas que produzem. Pessoas diagnosticadas precisam ser assistidas, contar com a solidariedade daqueles que são próximos, ser respeitadas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, proferiu as seguintes palavras ao divulgar o relatório sobre saúde mental: “todos conhecemos alguém afetado por transtornos mentais; a boa saúde mental se traduz em boa saúde física; o investimento em saúde mental é um investimento em uma vida e um futuro melhor para todos”. Embora o relatório da OMS tenha por objetivo principal alertar entidades e gestores públicos para a necessidade de melhorias nas estruturas de atendimento, o tema merece reflexão e impõe a todos a adoção de novas condutas. No Brasil, pouco mais de 50% das pessoas com depressão fazem uso de medicamentos prescritos por especialista e apenas 20% fazem psicoterapia. Vergonha, medo da rejeição por parte de familiares e amigos, receio de ser desrespeitado ou tornar-se alvo de humilhações podem desmotivar quem for acometido de doença mental a procurar auxílio. Empatia e solidariedade são imprescindíveis a quem convive com estas pessoas. Informar-se sobre os meios de assistência disponíveis, orientar e incentivar a procura por auxílio, acompanhar tratamento médico e evolução ou estabilidade do quadro ampliam consideravelmente as chances de sucesso e contribuem para boa qualidade de vida.

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