Especialidades médicas brasileiras

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Nesta semana, RMS fala sobre as 4 especialidades médicas com maiores efetivos do Brasil. Clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ginecologia/obstetrícia concentram 38% de todos os títulos de especialista do país, no universo de 55 especializações reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Nos tópicos a seguir, informações e curiosidades sobre as 4 especialidades, listadas em ordem decrescente por número de profissionais em atividade.

Clínica médica é a especialidade no Brasil que conta com o maior número de profissionais em exercício, representando pouco mais de 11% do total de registros de qualificação de especialista ativos. Dados mais recentes indicam aproximadamente 48 mil médicas e médicos brasileiros que têm nesta especialização uma de suas titulações. Por englobar conteúdos de outras especialidades e dispor de considerável multiplicidade de segmentos de atuação, propiciando contato com parcela expressiva da população, clínica médica figura como o principal ponto de acesso dos cidadãos aos serviços de saúde. Trata-se de uma especialidade não cirúrgica com conhecimentos abrangentes de grande relevância na prevenção e detecção precoce de enfermidades que impõem atuação de diferentes segmentos. A especialização tem duração de 2 anos, é de acesso direto e pré-requisito para demais especialidades de ordem clínica.

Pediatria é a segunda especialidade no Brasil em número de profissionais em exercício, concentrando 10% do total dos títulos de especialização ativos. Atualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, são 21 pediatras para cada grupo de 100 mil habitantes, número considerado bom pela OMS. Contudo, a distribuição dos profissionais em território nacional é desproporcional: 55% dos pediatras atuam no Sudeste, região com pouco mais de 40% da população do país. Os primórdios da pediatria no Brasil remontam à década de 1870, quando o médico natural do Rio de Janeiro Carlos Moncorvo de Figueiredo publicou o resultado de um estudo sobre métodos bem-sucedidos na recuperação de crianças afetadas pela diarreia. Moncorvo estruturou um consultório para atendimento exclusivo a crianças e incentivou o estudo pelas faculdades de medicina das práticas especificamente voltadas ao público infantil. Na pediatria, há especificidades quanto à relação médico-paciente, em virtude da participação de pais ou responsáveis legais. Eles figuram como parte diretamente interessada, influenciam no estabelecimento do vínculo entre o pediatra e a criança ou jovem e contribuem ativamente nos resultados do tratamento. Diferentemente das demais especialidades, há invariavelmente uma relação integrada por três atores igualmente importantes: paciente, médico e família (família ou tutor).

Cirurgia geral é a terceira especialidade em quantidade de profissionais no Brasil, ficando atrás apenas de clínica médica e pediatria. Representa 9% do total de títulos de especialização ativos. Há atualmente 18 cirurgiões gerais no país para cada grupo de 100 mil habitantes. Em termos quantitativos, é a principal especialidade cirúrgica e também é pré-requisito a subespecialidades do mesmo segmento. No ano de 2008, a proporção era de 10 especialistas por 100 mil habitantes. O aumento no número de títulos foi superior a 80%, enquanto a população no período cresceu pouco mais de 10%. Portanto, crescimento da oferta de profissionais em números absolutos e em termos proporcionais relativamente à população. Esta crescente procura pela especialização em cirurgia geral pode encontrar justificativa nos seguintes argumentos: está entre as 3 especialidades mais bem remuneradas no Brasil; as oportunidades de ingressar em residência médica são razoáveis, especialmente nos grandes centros; perspectivas de realização profissional e de valorização da carreira. Mas o aumento do número de especialistas registrado em anos recentes não significa oferta suficiente. As características socioeconômicas dos centros urbanos brasileiros implicam em demanda crescente por médicas e médicos especializados em cirurgia geral. O indicador supramencionado de 18 profissionais para cada grupo de 100 mil pessoas não é a realidade da maioria dos municípios brasileiros, nem mesmo em zonas de grande densidade populacional.

Ginecologia e Obstetrícia é a quarta colocada em quantidade de registros de qualificação de especialista ativos. Os primeiros estudos voltados à saúde feminina, precursores da especialidade, são atribuídos a Trotula de Ruggiero ou Trotula de Salerno, nascida no século XI em região atualmente pertencente ao território italiano. Ela publicou obras relacionadas a cuidados e doenças do aparelho reprodutor feminino, gravidez, parto e até sobre sexualidade. A especialidade ginecologia como hoje a conhecemos teria origens nos Estados Unidos, onde foram desenvolvidos estudos de grande valia para a medicina mundial. Ainda no início do século XIX, mais precisamente em 1809, o médico Ephraim MacDowell realizou a primeira extração bem-sucedida de ovários para tratamento de câncer. A construção do conhecimento sobre medicina da mulher no Brasil tem como marco o ano de 1808, com a fundação da primeira instituição de ensino de saúde pelo rei Dom João VI, e a inclusão da obstetrícia como parte dos conteúdos de formação. A consolidação como especialidade médica, ao menos no campo acadêmico, veio com reformas nas instituições de ensino superior ocorridas a partir de 1880. A Faculdade do Rio de Janeiro, por exemplo, instituiu a cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica. As primeiras maternidades-escola emergiram desse processo. Pesquisa recente encomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia revelou que dois terços das mulheres do Brasil consideram ginecologia a especialidade mais importante, sendo este profissional seu médico ou médica de referência para cuidados com a saúde de uma forma geral, não apenas questões de ordem ginecológica. Com relação aos quesitos confiança, resultados do aconselhamento e clareza das informações, 90% das brasileiras consultadas na mesma pesquisa alegaram estar satisfeitas com o trabalho do ginecologista ou da ginecologista.

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