Burnout e os profissionais de saúde

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A Síndrome de Burnout; síndrome do esgotamento profissional, afeta sobremaneira profissionais de saúde, especialmente no cenário imposto pela pandemia do Covid-19. A expressão da língua inglesa, provavelmente de autoria do psicanalista Herbert Freudenberg, teria surgido em 1974, a partir da constatação do nível de exaustão e apatia a que médicos, psicólogos e enfermeiros encontravam-se em virtude do extenuante trabalho à frente das clínicas de atendimento gratuito nos Estados Unidos. Presente em quase todas as categorias laborais, classificada pela OMS como “fenômeno ocupacional”, a Síndrome de Burnout atinge profissionais de setores caracterizados por signifivativa divisão e especialização do trabalho, como na indústria, por exemplo; ou ambientes de grande competitividade e que impõem diversidade de tarefas, como nas corporações privadas; porém, apresenta expressivo número de casos nas atividades voltadas ao auxílio e que implicam em relações interpessoais intensas, como serviço social, segurança, educação e carreiras da saúde.

Sobre burnout

Resultante da exposição ao stress laboral extremo, em circunstâncias às quais o indivíduo se sente incapaz de responder ou adaptar, a Síndrome de Burnout foi classificada em 2019 como fenômeno ocupacional, por ocasião da décima primeira Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID – 11). Embora seja consequência unicamente do ambiente e relações laborais, a síndrome do esgotamento profissional repercute em outros segmentos da vida do trabalhador. A OMS considera a Síndrome de Burnout um efeito do “stress crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com êxito”. Ainda de acordo com a entidade, três características permitem afirmar que tal quadro foi estabelecido: exaustão; pessimismo, distanciamento emocional ou repulsa quanto ao trabalho; perda nítida de eficácia. A condição não deve ser confundida com o assédio moral, embora este concorra para o agravamento, não pode ser tratada simplesmente como fadiga e não resulta de fatores externos ao contexto laboral. Burnout é uma resposta à pressão emocional imposta pela demanda ou pela intensidade das relações no ambiente profissional, conduzindo à apatia, quebra de desempenho, rejeição ao trabalho.

Burnout em tempos de pandemia

Pesquisa patrocinada pela Afya Educacional revelou dados alarmantes sobre a Síndrome de Burnout entre médicos, enfermeiros e auxiliares, nos momentos críticos da pandemia do Covid-19. Os profissionais consultados responderam a um questionário elaborado de maneira a obter-se indícios de possíveis sintomas, produzindo o seguinte resultado: 79% dos médicos e médicas, 74% de enfermeiros e enfermeiras e 64% de auxiliares apresentavam sinais de esgotamento profissional.

Burnout e os profissionais da saúde 

As carreiras de saúde caracterizam-se pelo elevado senso de propósito, interação pessoal intensa e grande demanda, elementos que podem tornar o ambiente de trabalho propício ao stress prolongado e consequentemente ao desenvolvimento de quadros de Burnout. Comumente expostos a jornadas extenuantes, laborais e/ou acadêmicas, agravadas por vezes pela carência de recursos e pela afluência de estímulos emocionais provenientes de fatores intrínsecos à profissão, médicos e demais trabalhadores da saúde acabam submetidos a pressões que concorrem para a síndrome do esgotamento profissional. Não raramente, em virtude da necessidade de atendimento das crescentes demandas do setor de saúde brasileiro, os profissionais silenciam o sofrimento e relegam a condição a um nível inferior de importância, potencializando seus efeitos ao limite extremo da exaustão. Não por acaso que a expressão “burnout” foi cunhada por pesquisador que avaliava impactos do trabalho exaustivo de médicos, enfermeiros, auxiliares e psicólogos que atuavam em condições similares às brasileiras. Estudos recentes demonstraram também que este cenário começa a se estabelecer precocemente, ainda no período da graduação; estudantes de medicina estão entre os mais afetados por esgotamento em contexto acadêmico.

Sinais x Soluções 

A Síndrome de Burnout pode produzir consequências fora do ambiente laboral. Há que se levar em consideração o fato do trabalho ocupar parte significativa do tempo de um adulto; se a atividade laboral torna-se excruciante, é grande a possibilidade do sofrimento ultrapassar os limites do contexto profissional. Importante atentar a sintomas como os elencados a seguir e procurar orientação para soluções viáveis a cada caso:

– pessimismo, ceticismo e desesperança constantes com relação às dificuldades e condições do trabalho;

– cansaço extremo; sensação de esgotamento físico e mental constante; baixa iniciativa;

– sensação de ineficiência sempre presente; questionamentos quanto ao próprio desempenho;

– variações de humor; irritabilidade ou apatia no ambiente de trabalho; baixa empatia;

– desatenção e esquecimento frequentes relacionados às tarefas laborais;

– o agravamento pode produzir efeitos não vinculados ao ambiente laboral, como alterações no sono, perda de apetite, lapsos de memória, depressão.

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