30 de outubro é Dia da Ginecologista e do Ginecologista Obstetra, homenagem aos profissionais dedicados à saúde feminina, desde a adolescência à maturidade, e cuidados com a mulher no período gestacional, parto e puerpério. A celebração, alusiva à fundação em 1959 da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, é de âmbito nacional, embora haja datas de abrangência internacional voltadas à conscientização sobre temas específicos da saúde feminina. Há também um Dia do(a) Obstetra, de âmbito mundial, vinculado ao nascimento do monge Zenão da Mauritânia, posteriormente São Zenão de Verona, religioso dedicado aos cuidados com recém-nascidos e crianças. O 30 de outubro foi escolhido para homenagear especificamente médicas e médicos brasileiros da especialidade Ginecologia e Obstetrícia.
Os primeiros estudos voltados à saúde feminina, precursores da Ginecologia, são atribuídos a Trotula de Ruggiero ou Trotula de Salerno, nascida no século XI em região atualmente pertencente ao território italiano. Ela publicou obras relacionadas a cuidados e doenças do aparelho reprodutor feminino, gravidez, parto e até sobre sexualidade. Trotula manteve vínculos com a Escola Médica de Salerno, primeiro centro de ensino de medicina do período medieval não controlado pela igreja, na condição de aluna e possivelmente como mestre. A especialidade Ginecologia como hoje a conhecemos teria origens nos Estados Unidos, onde foram desenvolvidos estudos de grande valia para a medicina mundial. Ainda no início do século XIX, mais precisamente em 1809, o médico Ephraim MacDowell realizou a primeira extração bem sucedida de ovários para tratamento de câncer. Destaque também para o New England Female Medical College, fundado em 1848, e para o Female Medical College of Pennsylvania, fundado em 1850, rebatizado posteriormente WMCP Woman’s Medical College of Pennsylvania, ambas instituições voltadas à pesquisa e formação de mulheres para o exercício da medicina. A expressão “obstetrícia” provavelmente deriva de verbo do latim cujo significado seria “permanecer ao lado”. Quanto à palavra “ginecologia”, origina-se do grego e literalmente significa “estudo da mulher”.
A construção do conhecimento sobre medicina da mulher no Brasil remonta à década de 1830, época em que as escolas de saúde e cirurgia foram convertidas em cursos universitários, embora a obstetrícia fosse conteúdo da formação médica desde 1808, ano de fundação da primeira instituição de ensino de saúde pelo rei Dom João VI. Médicos de reputação vinculados a entidades como a Faculdade do Rio de Janeiro e a Faculdade da Bahia ensinavam técnicas voltadas à ginecologia e obstetrícia. A consolidação como especialidade médica, ao menos no campo acadêmico, veio com reformas nas instituições de ensino superior ocorridas a partir de 1880. A Faculdade do Rio de Janeiro, por exemplo, instituiu a cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica. As primeiras maternidades-escola emergiram desse processo. No cenário atual, em face da maior abrangência dos serviços de saúde e considerando uma população de aproximadamente 110 milhões de mulheres brasileiras, Ginecologia e Obstetrícia figura como uma especialidade de grande relevância, quarta colocada em número de profissionais atuantes no território nacional.
Pesquisa recente encomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia revelaram hábitos relativos à saúde sexual e reprodutiva feminina. Dois terços das mulheres do Brasil consideraram a ginecologia a especialidade mais importante, sendo este profissional seu médico ou médica de referência para cuidados com a saúde de uma forma geral, não apenas questões de ordem ginecológica. 90% das mulheres pesquisadas indicaram frequência das consultas, sendo que metade delas procuram especialista uma vez ao ano. Projetados esses percentuais para a totalidade da população feminina com 20 anos ou mais, concluímos que aproximadamente 84 milhões de mulheres brasileiras consultam ginecologista regularmente, sendo que 42 milhões o fazem ao menos uma vez por ano. Sobre os motivos da primeira visita ao médico ou médica, metade das entrevistadas indicou tratar-se de prevenção. Com relação aos quesitos confiança, resultados do aconselhamento e clareza das informações, 90% das brasileiras consultadas alegaram estar satisfeitas com o trabalho do ginecologista ou da ginecologista. O estudo demonstrou que a confiança tem sido um fator decisivo na consolidação do vínculo médico-paciente e consequentemente, na continuidade do acompanhamento.
