Conscientização da Doença de Alzheimer

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Em 21 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, estabelecido em 1994 por iniciativa conjunta da ADI Alzheimer’s Disease International e Organização Mundial da Saúde. No Brasil, também em 21 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, instituído pela Lei 11.736 de 2008. Ambos representam os esforços de profissionais e entidades de saúde no sentido de uma melhor percepção, por parte da população, das características da principal causa de demência entre pessoas maiores de 65 anos. A data serve de referência para campanhas destinadas a informar sobre a doença, combater a estigmatização e orientar sobre sintomas que não devem ser ignorados. Mais de um milhão de idosos brasileiros sofrem da Doença de Alzheimer.

Principal causa de demência no mundo

O médico alemão Aloysius Alzheimer foi o primeiro a identificar e descrever, no início do século passado, características específicas da doença neurodegenerativa progressiva batizada com seu nome. Passados mais de 100 anos, ainda não se pode afirmar com precisão o que está na origem da perda cognitiva produzida pela Doença de Alzheimer, mas a principal tese sustentada pelas pesquisas é o acúmulo de substâncias nocivas que provoca danos ao tecido cerebral. Proteínas indevidamente retidas no hipocampo e no córtex cerebral afetam inicialmente a interação entre neurônios. Processos inflamatórios decorrentes da toxicidade dos compostos acumulados ocasionam perda de funcionalidade e comprometimento do tecido, consequentemente, agravamento do quadro.

Lapsos de memória, desorientação temporal e espacial, dificuldades na linguagem, déficit de raciocínio e alterações comportamentais costumam ser os primeiros efeitos, associados ao comprometimento das sinapses. Com a degeneração dos tecidos, o paciente passa a depender de cuidados constantes, haja vista os sérios prejuízos à memória e habilidades motoras, perda significativa da capacidade de raciocínio e tomada de decisões, desorientação intensa, sérias alterações de comportamento, dificuldades de locomoção e até incontinência urinária e fecal. Estima-se quase 1,3 milhões de brasileiros com Doença de Alzheimer. No planeta, das 50 milhões de pessoas que sofrem de demência, 36 milhões são afetadas por Alzheimer. Segundo a OMS, a continuidade no ritmo de crescimento do número de casos pode levar a 78 milhões de habitantes no mundo com demência no ano de 2030, 56 milhões deles em decorrência da Doença de Alzheimer. Estima-se que mundialmente ocorram 1 milhão e meio de óbitos anuais decorrentes das complicações do Alzheimer.

Prevenção 

Não há cura conhecida para a Doença de Alzheimer, mas medidas preventivas podem ser eficazes ou retardar consideravelmente sua progressão, mitigando os impactos na qualidade de vida de pacientes e familiares. Demência nunca foi consequência do envelhecimento, não é algo natural, por isso, imprescindível estar atento a indícios de anormalidade. Lapsos de memória frequentes e dificuldades com atividades corriqueiras devem ser logo comunicados ao médico ou médica de acompanhamento regular, para investigação e encaminhamento. Pode-se também recorrer diretamente ao especialista, médico de família e comunidade, o importante é não ignorar sinais. Diagnóstico precoce possibilita a intervenção atempada por meio de medicamentos, mudanças no estilo de vida e terapias de estimulação de capacidades cognitivas.

Condutas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares potencialmente concorrem para o desenvolvimento de demência por Alzheimer. De forma análoga, tudo que contribui para a manutenção da saúde cardiovascular pode mitigar o risco deste tipo de doença neurodegenerativa. Recentemente, pesquisadores holandeses avaliaram um processo de calcificação no hipocampo decorrente de doença cardiovascular e associaram-no ao desenvolvimento de Alzheimer. O hipocampo é uma região do cérebro intimamente ligada à formação de memórias. Esta seria mais uma evidência da conexão entre saúde cardiovascular e prevenção de doenças neurodegenerativas. Evitar o fumo e o excesso de bebidas alcoólicas é bastante positivo. Alimentação balanceada, com boa ingestão de vitaminas e equilíbrio no consumo de nutrientes. Tratar hipertensão e diabetes é imprescindível. Atividades físicas sempre, não importa a idade, desde que haja regularidade e os cuidados devidos. Esportes, exercícios de força, danças, práticas em grupo ou que imponham maior controle motor são excelentes, mas qualquer atividade física vale. Sono de qualidade tem grande relevância. Durante o repouso, toxinas e resíduos da atividade celular são retirados do sistema nervoso central, ação que contribui significativamente para a saúde do cérebro. Além disso, sono bom e pelo tempo adequado ajuda a proteger o sistema cardiovascular.

Atividades que estimulem o cérebro, exijam a retenção de informações na memória ou exercitem habilidades motoras são boas medidas preventivas. A leitura, por exemplo, funciona como um excelente estímulo: exercita recursos de interpretação e conexão entre dados, exige concentração e memorização. Artesanato, atividades em grupo que promovam socialização e estimulação cognitiva, aprender a tocar instrumentos musicais, estudar idiomas, integrar grupos de expressão artística ou manifestações culturais, tudo isto é válido. Aprender novas atividades, fora da rotina, estimulando raciocínio, memória, criatividade, é um bom recurso de prevenção. Acompanhamento médico regular tem grande parcela de contribuição, pois permite a identificação dos primeiros indícios de desenvolvimento do Alzheimer ou possibilita diagnóstico precoce de irregularidades que podem se converter em fatores de risco. O médico ou médica devem ser informados, para possível encaminhamento a especialista: problemas com a memória recente sem causa aparente; desorientação; dificuldades na concentração ou na construção de raciocínios; esquecimento de palavras, expressões e procedimentos rotineiros; falhas na linguagem. Isolamento social e alterações de comportamento sem causa aparente podem também ser indícios.

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