Setembro Amarelo e Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio 2022

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10 de setembro é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, parte integrante do calendário da Organização Mundial da Saúde desde o ano de 2003. Iniciativa da Associação Internacional para a Prevenção ao Suicídio, a data tem por objetivo conscientizar acerca da premência na adoção de estratégias de precaução contra uma das principais causas de mortes não naturais no planeta. O lema estabelecido para a campanha no biênio 2021-2022, “Criando Esperança Através da Ação”, sugere proatividade de setores da sociedade civil, Estado e família no sentido da adoção de medidas de valorização da vida e amparo às pessoas mais vulneráveis. A publicação da OPAS – Organização Pan-americana da Saúde relativa ao tema transmite a seguinte mensagem: “todos nós – familiares, amigos, colegas de trabalho, membros da comunidade, educadores, líderes religiosos, profissionais de saúde, autoridades políticas e governos – podemos adotar medidas para prevenir o suicídio”. No Brasil, o Setembro Amarelo, iniciativa solidária do CVV – Centro de Valorização à Vida, Associação Brasileira de Psiquiatria e Conselho Federal de Medicina, foi criado em 2014 para trazer mais visibilidade ao tema e reforçar sua relevância, tornando-se referência para ações de âmbito nacional voltadas a orientar a população e impulsionar a divulgação do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Para 2022, a campanha traz o lema “A vida é a melhor escolha!”.

Uma das principais causas de mortes

O suicídio figura entre as 20 maiores causas de mortes no mundo. Aproximadamente 700 mil vidas são interrompidas anualmente. Em média, uma morte a cada 40 segundos. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, 1 a cada 100 óbitos, incluindo todas as causas. No relatório intitulado Suicide Worldwide in 2019, a Organização Mundial da Saúde afirma que o suicídio é a quarta principal causa de mortes entre jovens (29 anos ou menos), perdendo apenas para os acidentes de trânsito, as infecções respiratórias graves e violência interpessoal. Embora o percentual de homens seja superior, os indicadores entre mulheres nesta faixa etária também são expressivos, especialmente nos países em desenvolvimento e naqueles de menor renda média (recursos financeiros familiares). O documento da OMS relata ainda uma redução dos números em algumas regiões do mundo, como Mediterrâneo Oriental, União Europeia e Pacífico Ocidental. Contudo, no período de 2000 a 2019, a alta do número de casos no Continente Americano foi de 17%.

No Brasil, mais de 12 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. Em 2020, quase 12.900 suicídios, confirmando uma tendência de elevação dos indicadores registrada desde 2000. Trata-se da terceira principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Assim como no restante do Continente Americano, região do planeta que registrou a maior elevação do número de casos entre 2000 e 2019, o Brasil apresentou alta nas quantidades de óbitos por suicídio e de lesões autoinfligidas. A elevação foi de 36%, muito superior à média continental. Quanto ao indicador que compara o número de mortes autoprovocadas com o total da população, o Brasil teve um dos mais significativos aumentos da taxa dentre todos os países das Américas, portanto, uma das maiores elevações em termos percentuais do mundo.

Identificar e pedir ajuda

Para apoiar os países em seus esforços de prevenção e cumprir a meta de redução em um terço nos números globais de suicídios até 2030, a OMS criou uma abordagem batizada LIVE LIFE, com 4 estratégias principais:

– Identificação precoce, avaliação e acompanhamento de qualquer pessoa afetada por pensamentos ou comportamentos suicidas;

– Promover habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes;

– Orientar órgãos de comunicação de massa sobre a cobertura responsável do suicídio;

– Limitar o acesso aos métodos de suicídio.

A OMS estima em 90% os suicídios considerados evitáveis, ou seja, o desfecho seria diferente se houvesse atenção aos primeiros sinais de desequilíbrio emocional. As razões que culminam em morte autoprovocada são distintas entre as pessoas, mas o fato é que o suicídio não representa propriamente a vontade de desistir da vida, mas a intenção precípua de acabar com a dor e eliminar os problemas aparentemente sem solução. O indivíduo opta pelo suicídio por ser incapaz de perceber meios efetivos de enfrentar o sofrimento.

Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

O Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio objetivam difundir a ideia de que é preciso proteger a si e ao próximo, não menosprezar os indícios da instabilidade emocional e conhecer os recursos de ajuda e como acessá-los. Conscientizar as pessoas sobre a necessidade de avaliar seus próprios sentimentos e observar cuidadosamente a condição mental daqueles com quem convivem. Entidades públicas e privadas e organizações sociais atuantes nos mais diferentes segmentos promovem ações próprias, destinadas a colaboradores, parceiros de negócios, comunidades. Quem estiver vinculado a uma empresa ou associação deve se informar sobre a existência de projetos e medidas de aconselhamento na própria entidade. Quem não se sente diretamente atingido pelo problema pode se voluntariar para apoiar programas já existentes ou incorporar novos grupos de trabalho. Ao perceber alterações de comportamento que sugiram desequilíbrio na saúde mental, o correto é informar-se sobre os meios mais eficazes de auxílio. Nenhum indício deve ser subestimado.

Empatia, cuidado, orientação e proteção, expressões que associamos ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e válidas para todos os dias do ano. Cuide de si e proteja quem você ama. Para encerrar, frases atribuídas ao dramaturgo grego Ésquilo que nos motivam à reflexão sobre o conteúdo deste texto:

“os sofrimentos humanos têm facetas múltiplas, por isso nunca se encontra outra dor com o mesmo tom”:

“o ápice da desventura nunca durará muito tempo”; 

“as palavras são o remédio para a alma que sofre”. 

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