Dia Nacional de Combate ao Fumo

Categoria: Blog, Para Médicos

29 de agosto é Dia Nacional de Combate ao Fumo, instituído pela Lei 7.488, de 11 de junho de 1986. A celebração tem por intuito a conscientização sobre os efeitos nocivos do tabaco em suas diferentes apresentações, não exclusivamente o cigarro. As iniciativas vinculadas à data também objetivam alertar a população para a existência de estruturas de auxílio na luta contra o vício. Dissuadir os iniciantes do hábito de fumar e orientar sobre mecanismos de recuperação para quem já sofre os efeitos do tabagismo, estes os objetivos principais do Dia Nacional de Combate ao Fumo. A preocupação das autoridades e profissionais médicos com os estímulos ao consumo, consequências à saúde pública e impactos ao bem-estar dos fumantes passivos acarretou a publicação de duas leis posteriores à 7488: Lei 9294 de 1996, voltada a regular a propaganda de cigarros; Lei 12546 de 2011, que modifica a Lei 9294 e proíbe o fumo em ambientes fechados de estabelecimentos públicos e privados. Há também um Dia Mundial de Combate ao Fumo ou Dia Mundial sem Tabaco, celebrado a 31 de maio. Estabelecida em 1987 pela OMS, a efeméride visa a influenciar líderes das nações para a necessidade de políticas que amenizem os efeitos do tabagismo à saúde pública.

Um dos mais destrutivos comportamentos humanos

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, o fumo é causador de 8,2 milhões de óbitos no planeta, anualmente. Os dados da OMS indicam que ocorre uma morte no mundo a cada 3,9 segundos, como resultado do hábito de fumar. O tabagismo é seguramente a maior causa evitável de mortes do planeta. A instituição estima ainda que um terço de toda a população adulta seja fumante, uma epidemia de proporções mundiais, com prejuízos significativos aos sistemas de saúde e economia global. Do total mencionado acima, 1,2 milhões de óbitos são de não-fumantes que sofrem os efeitos do vício de terceiros, os chamados “fumantes passivos”. Para estes, segundo a OMS, o risco de desenvolver doenças cardíacas crônicas é ampliado em 30%, quando comparados com pessoas não expostas à fumaça de cigarros e outros produtos. Considerado pela OMS uma doença respiratória, no que concerne à saúde, o tabagismo é um dos mais destrutivos hábitos da história humana. No Brasil, aproximadamente 400 pessoas morrem diariamente em decorrência do fumo. Diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica produzem os números mais significativos de vítimas fatais e incapacidade permanente.

Fumar é uma maneira eficiente de buscar a autodestruição 

Dentre as substâncias absorvidas ao fumar, a nicotina é o elemento principal a desencadear dependência. Menos de 20 segundos após consumida e seus efeitos começam a ser percebidos pelo cérebro. O uso contínuo de produtos que contêm nicotina leva ao consumo compulsivo e a falta da substância produz síndrome de abstinência, como em qualquer outro tipo de dependência. A nicotina conduz ao vício, mas há outros compostos nocivos. O cigarro, por exemplo, expõe o usuário a aproximadamente 4.000 substâncias tóxicas, pelo menos 70 delas comprovadamente cancerígenas.

Fumar cigarros pode ser o hábito mais usual, mas não é o único mortal. Um estudo realizado pela Universidade de Brasília sugere que uma hora e vinte minutos de narguilé equivalem a fumar 100 cigarros comuns. Charutos e cachimbo, em virtude da forma como o tabaco é consumido (absorção pela mucosa da boca), expõem o fumante a um risco maior de desenvolvimento de câncer de boca e outros tipos de câncer de cabeça, em comparação com o cigarro industrializado. O cigarro de palha também oferece os mesmos riscos. Com relação às doenças respiratórias crônicas e cardiovasculares, estas quatro formas de utilizar derivados do tabaco são quase tão nocivas quanto o cigarro comum.

Dezenas de enfermidades estão associadas ao fumo, dentre elas alguns tipos de câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias obstrutivas crônicas. O tabagismo pode levar à impotência sexual masculina e contribuir para a infertilidade feminina. Aumenta consideravelmente o risco de acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Pode provocar ou agravar doenças do aparelho digestivo e inflamações bucais severas. Contribui para o agravamento do diabetes e osteoporose. Potencializa o risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla e Alzheimer. Substâncias tóxicas presentes nos derivados do tabaco podem causar câncer de boca, traqueia, esôfago, estômago, rins, bexiga e colo do útero. Cerca de 90% dos pacientes com câncer de pulmão são fumantes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) estima que o tabagismo associado ao consumo de bebidas alcoólicas aumenta em 20 vezes a chance de desenvolver algum tipo de câncer.

 

Deixar de fumar para proteger a quem ama 

O fumante passivo, aquela pessoa que não fuma, mas está exposta aos efeitos da fumaça por conviver com um fumante habitual, corre também graves riscos. Estima-se que sete pessoas morram por dia no Brasil vítimas de algum mal provocado pelo fumo passivo. O risco de doença cardíaca aumenta em 30%, na comparação com pessoas não expostas à fumaça de derivados do tabaco. O tabagismo passivo durante a gestação pode prejudicar o desenvolvimento do feto e aumentar o risco de complicações na gravidez e no parto. Recém-nascidos e crianças expostas à fumaça do cigarro têm maior risco de morte súbita, bem como de desenvolver infecções respiratórias e auditivas graves. As centenas de substâncias tóxicas presentes na fumaça não são totalmente absorvidas pelo fumante habitual, portanto, parte considerável é inalada pelo fumante passivo. Deixar de fumar pode salvar também inocentes expostos compulsoriamente aos efeitos do fumo, e que nem tiveram o direito de escolha voluntária por adquirir ou não o hábito.

Optar pela vida

Engana-se quem pensa que não pode reverter os efeitos do período como fumante. Parar de fumar antes dos 40 anos reduz significativamente as chances de morte por doenças relacionadas ao tabagismo. Pesquisas indicam que 12 semanas sem fumar já promovem melhorias na função respiratória. Um ano sem tabaco e o risco de infarto do miocárdio corresponde à metade de um fumante regular. Decorridos 5 anos, as chances de desenvolver diferentes tipos de câncer reduzem-se em 50% e de acidente vascular cerebral são quase as mesmas de alguém que nunca fumou. Após 10 anos, o risco de câncer de pulmão diminui à metade. Decorridos 15 anos, as chances de desenvolver doenças cardiovasculares graves e câncer do aparelho respiratório são praticamente as mesmas de alguém que nunca fumou. A proteção à saúde também se estende às pessoas que convivem com o fumante. Quando o fim do tabagismo vem acompanhado de modificações de estilo de vida, prática de atividades físicas orientadas e hábitos saudáveis, os efeitos do tabaco ficam definitivamente no passado.

Os dados acima sugerem que é possível reverter os efeitos do fumo e ter vida de qualidade. Quem cogita deixar de fumar deve procurar orientação médica acerca das opções de tratamento. Pode ser o profissional de acompanhamento regular ou especialista contatado para tal finalidade. Há programas com eficácia comprovada, disponíveis na rede pública e nos sistemas privados de assistência à saúde. Ciente do desejo do paciente de largar o hábito de fumar, o médico ou médica realizará uma análise detalhada do caso e irá propor o método mais adequado. Fundamental é abandonar o vício enquanto há meios de recuperar os prejuízos.

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