Dia Mundial da Imunização

Categoria: Blog, Para Clínicas, Para Hospitais, Para Médicos

9 de junho é Dia Mundial da Imunização, data estabelecida para celebrar este fundamental método preventivo, reconhecendo-o como uma importante vitória de pesquisadores e entidades de saúde sobre doenças que assolaram a humanidade. Especialistas afirmam que a imunização desempenhou papel de grande relevância na redução significativa da mortalidade que foi percebida durante o século XX. As vacinas certamente contribuíram para o aumento da expectativa de vida de populações em todos os continentes, mesmo nos países em desenvolvimento, ainda com deficiências de saneamento e serviços de saúde. A erradicação da varíola, doença altamente letal e alvo do primeiro processo de imunização conhecido, só foi possível pela vacinação massiva. Vacinas foram responsáveis pela redução expressiva das mortes por tuberculose no mundo, enfermidade que vitimou 1 bilhão de pessoas em pouco mais de 200 anos. Recentemente, testemunhamos os esforços sem precedentes de pessoas envolvidas no desenvolvimento e aplicação de imunizantes para contenção dos efeitos da Covid-19. No Dia Mundial da Imunização, a RMS homenageia pesquisadores, autoridades e profissionais de saúde que possibilitam à população o acesso aos programas de vacinação.

O início 

A primeira vacinação de que se tem notícia aconteceu pouco antes do ano 1800. O médico britânico Edward Jenner, enquanto pesquisava formas de combater a varíola, percebeu que vacas desenvolviam uma versão da doença, com lesões idênticas às apresentadas por humanos, porém menos agressiva e quase nunca letal. Há época, a população comentava sobre pessoas que lidavam com gado e eram imunes à varíola. Jenner avaliou então mulheres que trabalhavam na ordenha de animais infectados e constatou que as mesmas desenvolviam formas atenuadas da doença, com sintomas leves e recuperação total. Ele iniciou pesquisas nas quais os pacientes tinham contato com tecido animal que continha o vírus da versão bovina, de maneira que não afetasse seriamente a saúde, mas que estimulasse o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos. As pessoas recuperadas da infecção provocada pelo vírus eram submetidas então ao contato com a versão humana, extremamente letal. Ao final, os participantes da pesquisa não desenvolveram a varíola humana. Edward Jenner estabeleceu as bases para os atuais sistemas de imunização por exposição a versões modificadas, enfraquecidas ou inativas de vírus, e provou ser viável a implementação de sistemas de vacinação. Os testes bem-sucedidos em humanos aconteceram nos anos 1796 a 1798. A varíola apenas foi considerada erradicada 180 anos depois dos estudos de Jenner, após campanha mundial de imunização.

Componentes de uma vacina

Todas as vacinas dispõem de um elemento comum que é o antígeno. Trata-se do componente mais importante e que estimula a resposta do sistema imunológico, impedindo o desenvolvimento da doença. Pode ser constituído de uma versão enfraquecida do vírus ou de uma versão inativa (mas o corpo não percebe que está inativa e cria defesas para combater a doença) ou ainda de algum composto que viabiliza a ação do vírus, uma proteína por exemplo, que o organismo da pessoa vacinada percebe como ameaça e combate igualmente. As vacinas dispõem também de estabilizadores, substâncias derivadas de açúcares ou aminoácidos utilizados amplamente pela indústria de alimentos. Ainda contam com os diluentes, normalmente água esterilizada, necessários à manutenção na concentração adequada para a aplicação. Dependendo da forma de acondicionamento da vacina, acontece a adição de conservantes, também amplamente utilizados na indústria de alimentos para evitar que o produto se estrague após o rompimento da embalagem.

Na fase inicial de criação da vacina, define-se qual o antígeno mais apropriado, após rigorosos testes em laboratórios. Posteriormente, novas análises são realizadas para avaliar os demais constituintes da vacina e sua eficácia. Em fase seguinte, o resultado é testado em animais e são analisadas a resposta do sistema imunológico e a segurança. Apenas quando os pesquisadores têm a certeza de que o imunizante pode ser utilizado seguramente e produzirá a resposta imunológica pretendida é que são iniciadas as fases de testes com voluntários humanos. Concluído o desenvolvimento da vacina, os resultados são avaliados por técnicos dos órgãos públicos reguladores. Apenas após a aprovação destes é que o imunizante é disponibilizado à população. A aplicação é sempre realizada por profissionais treinados para tal finalidade.

Eficácia das vacinas

O primeiro programa de imunização em escala mundial aconteceu nos anos 1950, destinado à prevenção da varíola. A doença levara milhões de pessoas a óbito, desde antes da era cristã, em surtos epidêmicos com taxa de mortalidade superior a 30%. Nas crianças muito pequenas e bebês, era praticamente sentença de morte. Menos de 30 anos decorridos do início da vacinação e a doença estava erradicada. O último caso de varíola humana registrado aconteceu em 1977. O sucesso do primeiro programa de imunização levou a OMS a criar o Expanded Programme of Immunization, incluindo vacinas para tuberculose, difteria, tétano, poliomielite, sarampo, dentre outras consideradas seguras e eficazes há época, para estimular a ampliação da cobertura vacinal, especialmente nos países em desenvolvimento. A tuberculose por exemplo, teve números expressivamente reduzidos após a aplicação da BCG (vacina que leva as iniciais dos sobrenomes dos inventores). A doença que matou centenas de milhões de pessoas em mais de 30 séculos, deixou de figurar entre as principais causas de morte no mundo. Em alguns países, os óbitos por ano não passam de algumas dezenas e quase sempre estão associados a quadros de déficit do sistema imunológico. A poliomielite, enfermidade que provoca danos severos e irreversíveis ao sistema nervoso central, teve o primeiro caso confirmado no Brasil por volta do ano 1900. Durante o século XX, os surtos provocaram milhares de vítimas em todo o território nacional. Uma mobilização iniciada em 1980 para aplicação em crianças da vacina Sabin, as conhecidas “gotinhas”, fez com que a poliomielite fosse considerada eliminada no Brasil em 1994.

Os sucessos dos programas de vacinação são nítidos em todo o mundo. A partir da segunda metade do século XX, imunizações contribuíram significativamente para que as doenças infectocontagiosas deixassem de figurar entre as principais causas de mortes no planeta. Testemunhamos como o esforço de pesquisadores, autoridades e profissionais de saúde na aplicação massiva dos imunizantes contra a Covid-19 contribuiu para a redução considerável dos números de infecções e mortes pela doença. Vacinas auxiliam na proteção da saúde de bilhões de pessoas no mundo e são uma ferramenta essencial na prevenção. Se você tem dúvidas sobre a eficácia ou segurança de um imunizante, converse com um especialista. Seu médico ou médica pode orientar sobre alergias a componentes ou quadros de saúde que requeiram cuidados especiais. Quem toma vacina se protege e contribui para a manutenção da saúde das pessoas que ama e dos integrantes de sua comunidade.

Compartilhe esse post