O Dia Mundial de Combate à Meningite acontece anualmente em 24 de abril. A data, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, serve de referência para campanhas que buscam conscientizar acerca da gravidade da doença, da necessidade de vigilância constante sobre hábitos de higiene e condutas preventivas, da importância da procura voluntária e atempada por assistência médica. A meningite caracteriza-se pela inflamação das meninges, membranas que protegem o sistema nervoso central. São elevados os índices de mortalidade e parte considerável das pessoas acometidas da doença sofrem sequelas neurológicas ou incapacidades permanentes. A meningite afeta populações em todos os continentes e motivou uma estratégia global capitaneada pela OMS, iniciada no ano de 2021, com o objetivo de reduzir em 70% os óbitos até 2030. Na semana em que se celebra o Dia Mundial de Combate à Meningite, RMS fala sobre história, sintomas, características e meios de prevenção.
A meningite resulta da ação de vírus, bactéria, fungo ou protozoário. Mais raramente, células tumorais ou a ingestão de substâncias químicas podem também ocasioná-la. A versão mais comum é de ordem viral, mas o tipo especialmente preocupante tem origem bacteriana. De forma similar a outras doenças infecciosas, a meningite é contraída através do contato com gotículas de secreções do aparelho respiratório expelidas pelo doente. A inflamação nas meninges que caracteriza a doença normalmente resulta do ataque de um patógeno associado à reação do sistema imunológico. A gravidade decorre da proximidade com o sistema nervoso central, por isso, diagnósticos de meningite exigem tratamento emergencial. Segundo a OMS, a menigite bacteriana, forma mais agressiva da doença, causa 250 mil vítimas fatais todos os anos no mundo. 20% das pessoas acometidas da versão bacteriana apresentam alguma sequela permanente: perda total ou parcial da visão, déficit auditivo ou surdez, problemas neurológicos, convulsões frequentes, debilidade motora, danos cognitivos. O número total de casos no mundo é de aproximadamente 5 milhões (todas as origens conhecidas).
Os primeiros casos confirmados de meningite no Brasil aconteceram em 1906. A doença foi detectada em um grupo de imigrantes originários da Ilha da Madeira, região insular que é parte de Portugal. Os infectados permaneceram isolados, para evitar um surto em território brasileiro. Todos os doentes na ocasião eram portadores da meningite meningocócica, forma bacteriana bastante letal. Nos anos 1923 e 1945, dois surtos de meningite atingiram o Brasil. O segundo não esteve limitado ao país, sendo de fato resultado da disseminação da doença ocorrida com a Segunda Guerra Mundial. O pior surto de meningite no Brasil aconteceu nos anos 1970, mais precisamente de 1971 a 1974. Subtipos de bactérias diferentes das identificadas nas ocorrências anteriores infectaram inicialmente moradores de uma região de São Paulo. A propagação da doença produziu milhares de vítimas e exigiu medidas emergenciais do governo brasileiro, como a importação de grande quantidade de vacinas e medicamentos, a transferência dos Jogos Pan-americanos para uma sede fora do país e a criação de centros públicos de pesquisa em imunobiológicos.
Febre, dor de cabeça, perda de apetite e leve rigidez da nuca são sintomas de quadros de meningite com menor gravidade, notadamente de origem viral. As formas bacterianas, potencialmente mais letais, provocam febre alta e persistente, dor de cabeça bastante intensa, vômitos, rigidez da nuca ao ponto do doente não conseguir unir a ponta do queixo ao peito. Pode causar também desorientação e surgimento de manchas vermelhas pelo corpo, indícios de agravamento do quadro. Nos bebês, é possível perceber uma elevação da moleira. Crianças de pouca idade podem apresentar sonolência excessiva. Cuidados com a higiene, lavagem frequente das mãos, não compartilhamento de objetos pessoais, limpeza de superfícies e circulação de ar nos ambientes fechados são boas condutas preventivas que se aplicam à meningite, assim como são aplicáveis a outras doenças infecciosas. A vacinação é o recurso mais eficaz na prevenção, haja vista a existência de imunizantes contra as mais agressivas versões da doença: meningocócica A, meningite por pneumococo, meningite por Haemophilus influenzae, meningocócica C e meningite por tuberculose. A cobertura vacinal é sem dúvida a melhor ferramenta de combate. Com relação ao tratamento, por se tratar de uma doença de rápida evolução e altamente letal, quanto mais cedo for iniciado melhores as chances de recuperação. Deve-se recorrer à assistência médica ao início dos sintomas, especialmente dores e febre acompanhadas de forte rigidez da nuca, manifestações típicas das formas bacterianas. Prevenir, se possível; ação rápida se for necessário remediar.
