Em 05 de dezembro é celebrado o Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade. A data foi estabelecida em virtude da fundação da SBMGC Sociedade Brasileira de Medicina Geral Comunitária, no ano de 1981, época também que a Comissão Nacional de Residência Médica reconheceu formalmente a Medicina Geral Comunitária como especialidade médica. Posteriormente, a SBMGC foi convertida na Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, sendo a especialização em Medicina Geral Comunitária renomeada Medicina de Família e Comunidade. O médico de família e comunidade é quem propicia o primeiro contato de parte da população com o sistema de saúde. A RMS homenageia estes profissionais que exercem função de grande relevância no contexto da Atenção Primaria à Saúde.
Primeiras atividades
Os primeiros programas de residência em Medicina de Família e Comunidade, então denominada Medicina Geral e Comunitária, iniciaram atividades em Porto Alegre, Vitória de Santo Antão na Região Metropolitana do Recife e Rio de Janeiro. Em 1981, foram formalmente reconhecidos pela Comissão Nacional de Residência Médica e no ano de 2002, a especialidade recebeu a denominação atual. O médico de família e comunidade é um agente de inclusão de cidadãos no âmbito da assistência à saúde. A proximidade com o meio social e o ambiente familiar do paciente humaniza e individualiza o atendimento, propicia conhecimento detalhado dos fatores que influenciam o quadro de saúde e conduzem a diagnóstico assertivo, com otimização de tempo e recursos. O especialista em Medicina de Família e Comunidade exerce um modelo de atendimento continuado caracterizado por estreita relação medico-paciente.
Dados da Medicina de Família e Comunidade no Brasil
De acordo com o relatório Demografia Médica publicado em dezembro de 2020, havia no Brasil 7149 títulos de especialização em Medicina de Família e Comunidade, há época da coleta dos dados. O documento, produzido pelo Conselho Federal de Medicina e pela USP Universidade de São Paulo, divulga anualmente indicadores sobre a comunidade médica brasileira e a distribuição de profissionais pelo território nacional. A quantidade de especialistas em MFC representa 1,7% do total de médicos no Brasil com pelo menos uma especialização, número pouco superior a 432 mil no período da pesquisa. A quantidade informada pelo Demografia Médica sugere a existência de 3,35 médicos de família e comunidade para cada grupo de 100 mil habitantes. Comparativamente, nas especialidades de Clínica Médica e Pediatria são respectivamente 22,9 e 20,4 profissionais para cada 100 mil. O relatório indicou que o número de especialistas aumentou em 1.663 no período de 2 anos, crescimento expressivo de 30%. Com relação a 2010, primeiro ano de publicação do Demografia Médica, o crescimento no número de médicos de família e comunidade foi de 171%. No que concerne à distribuição pelo território nacional, o relatório demonstrou maior concentração nas regiões Sudeste e Sul, com 73% dos especialistas em MFC atuando nos 7 estados que abrigam 55% do total da população brasileira. São Paulo é a unidade da Federação com maior número de médicos e médicas de família e comunidade. Entidades do setor de saúde estimam que o número ideal de especialistas em Medicina de Família e Comunidade para o Brasil é de 70 mil, dadas as características demográficas e territoriais do país, portanto, quase 10 vezes maior que a quantidade atual de profissionais em atividade.
Atuação abrangente e continuada
O médico de família e comunidade oferece mais do que auxílio em situações pontuais de risco à saúde. O trabalho deste profissional é desenvolvido no contexto familiar e comunitário do paciente, prestado de forma continuada, considerando o quadro geral de saúde e fatores de ordem social e cultural. O especialista em MFC intervém para diagnosticar e tratar, mas também para educar no sentido da prevenção. O atendimento estende-se aos grupos de pessoas próximas ao paciente que influenciam e sofrem influência no processo de tratamento, de maneira que haja menor impacto à dinâmica familiar e para promover condutas coletivas que favoreçam a recuperação. A abordagem do médico de família e comunidade abrange aspectos variados que concorrem para o restabelecimento da saúde e bem-estar, prestando um serviço direcionado ao indivíduo, mas com reflexos significativos no núcleo familiar e comunitário. Neste 5 de dezembro, a RMS parabeniza os médicos e médicas de família e comunidade que atuam no território brasileiro.
