Dia Mundial de Combate ao Estresse 

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Em 23 de setembro é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Estresse. A data serve de referência para ações voltadas a informar e conscientizar sobre suas consequências. Uma parcela significativa da população do planeta sofre com os efeitos negativos do estresse, considerado pela OMS um dos principais problemas de saúde mundial, capaz de produzir severos transtornos de ordem física e mental.

A origem da expressão e o significado atual

A expressão stress originalmente significava compressão ou tensão de ordem física exercida sobre um material. No século XIX, também passou a ser compreendida como pressão contra um ser humano, conotação de natureza física ou mental. Na perspectiva biomédica, a palavra stress foi associada ao conjunto de reações decorrentes da necessidade de adaptação de um organismo, no enfrentamento de uma situação ou ambiente desconhecido. Trata-se das respostas desencadeadas pelo corpo e pela mente para tornar o indivíduo apto a defender-se em um novo cenário ou perante desafios. No século XX, a expressão ganhou a significação correntemente adotada: reações físicas e mentais desencadeadas por um novo estímulo ou perturbação e que trazem certo desequilíbrio. O conceito de stress foi então vinculado ao estado psíquico e físico produzido diante de adversidades, da necessidade de resposta a acontecimentos de grande relevância ou como consequência da sobrecarga de atribuições.

Características e reações 

Não há um conjunto de reações específicas que podem ser classificadas como condição de estresse. No ambiente profissional, por exemplo, a pressão pode conduzir ao alcance de resultados superiores, mas também ao esgotamento e perda de produtividade. Indivíduos podem reagir de forma diferente a estímulos de mesma natureza, contudo, as respostas estarão sempre condicionadas à intensidade e duração do evento que desencadeia o estresse. Fatores como experiências passadas, contexto familiar, ambiente comunitário, pressões sociais, existência ou não de uma rede de suporte social, traumas e patologias podem influenciar as respostas ao momento de estresse. Eventos extremos ou períodos prolongados de tensão podem produzir reações preocupantes, com reflexos ao bem-estar físico e psíquico. As respostas ou sintomas do estresse costumam ser agrupados em 3 fases sucessivas: alerta ou alarme, quando os primeiros reflexos são percebidos; fase de resistência, a persistência da condição geradora do estresse agrava os sintomas; esgotamento ou exaustão, quando os efeitos são mais severos e podem resultar em doenças físicas e/ou psíquicas.

Causas e efeitos

Tensões no ambiente de trabalho, preocupações com adversidades aparentemente duradouras, luto, doenças crônicas, problemas familiares, sobrecarga de atividades profissionais ou acadêmicas, eventos traumáticos, insegurança quanto ao futuro e evolução de transtornos mentais podem desencadear o estresse. Quanto aos sintomas, ou seja, as reações do corpo e mente à condição que impõe o estresse, podemos elencar alguns dentre dezenas já observados: alterações na memória e dificuldade de concentração; alterações de humor; hábitos compulsivos; demonstrações de raiva constantes; alterações no sono; tensões musculares sem causa aparente; queda de cabelo; alterações no apetite; perda da libido. A persistência na condição de estresse pode acarretar ou agravar problemas do aparelho digestivo, alergias, quadros severos de cefaleia, alterações do sistema imunológico, crises de pânico, depressão, doenças cardiovasculares.

O mundo sofre com os efeitos do estresse

A Organização Mundial da Saúde classifica o estresse como epidemia de âmbito global. A entidade estima que 90% da população do planeta é afetada por efeitos maléficos do estresse. Desde sintomas menos graves até quadros de maior severidade, poucas pessoas no mundo estão verdadeiramente livres do desequilíbrio físico e psíquico dele decorrentes. A European Heart Journal publicou resultados de uma pesquisa que indicou o aumento em 68% das chances de desenvolvimento de doenças cardíacas em trabalhadores que sofrem estresse crônico. O cenário motivou a OMS a incluir o burnout, espécie de estresse de origem laboral, na nova classificação internacional de doenças.

Recursos contra os efeitos nocivos do estresse

A gestão adequada dos agentes causadores do estresse é fundamental: identificar a raiz do problema e buscar soluções racionais; evitar que situações já compreendidas como causadoras se repitam; por vezes, aceitar e adaptar-se às circunstâncias fora do controle ou impossíveis de serem evitadas; procurar auxílio de uma pessoa próxima, grupo ou especialista que possa contribuir na solução.

No âmbito profissional, recorrer a especialistas em gestão de conflitos, quando disponíveis. É fundamental reconhecer os limites físicos e de capacidade de assimilação de conhecimento. Tais limites precisam ser esclarecidos e respeitados. Gestão de tempo e estabelecimento de níveis de prioridade são essenciais. Imprescindível avaliar o grau de importância de mensagens e informações, haja vista o impacto que produzem.

Hábitos saudáveis minimizam os efeitos do estresse e contribuem para o bem-estar. Na verdade, são positivos em qualquer condição. Atenção à alimentação e cuidados especiais com o consumo de substâncias propícias à compulsão. Qualidade no descanso é fundamental e caso não seja possível superar distúrbios do sono, procurar auxílio médico. Exercícios físicos são excelentes, mas não podem se converter em mais uma fonte de transtornos. Antes de iniciar qualquer atividade, submeter-se a uma avaliação médica e posteriormente a uma avaliação física. Praticar esportes ou exercícios que sejam prazerosos e não se transformem em mais uma obrigação.

Por fim e tão importante quanto qualquer das orientações acima, procure auxílio de especialistas para prevenir ou tratar os efeitos nocivos do estresse, sejam eles físicos ou psíquicos.

São estas as sugestões da RMS para contribuir com a boa saúde e minimizar ou evitar os efeitos perigosos do estresse. 

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