Serviços médicos e hospitalares estão hoje disponíveis à totalidade da população brasileira. Qualquer pessoa em território nacional pode contar com atendimento ou hospitalização, custeado com recursos próprios ou estatais, com ou sem participação de intervenientes privados, através de uma unidade vinculada ao SUS – Sistema Único de Saúde, instituição privada ou entidade filantrópica. Mas essa abrangência nem sempre foi possível.
Durante o período colonial, o serviço de saúde praticado por profissional médico, assim como o acesso a medicamentos era limitado às pessoas mais abastadas, notadamente os grandes proprietários rurais e seus familiares. Tratava-se, portanto, de uma parcela ínfima da população. As santas casas de misericórdia proviam algum atendimento aos indivíduos sem posses, mas a maioria dos brasileiros não contava com qualquer amparo.
O primeiro ponto de inflexão na história da saúde no Brasil foi a transferência da Família Real Portuguesa, no ano de 1808, em virtude da ameaça de invasão de Portugal pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte. A intenção de estabelecer na colônia condições de vida e infraestrutura mais próximas do cenário em Portugal levou à criação das primeiras escolas de medicina, química e cirurgia. A oferta de profissionais de saúde acabou por aumentar, em virtude do acesso à formação em solo brasileiro.
Apesar das mudanças promovidas pela Família Real, pouca evolução houve no que diz respeito à abrangência dos serviços de saúde. As entidades vinculadas às organizações religiosas, como as santas casas de misericórdia, continuaram sendo a única opção para acolhimento e tratamento de quem dispunha de pouco recurso financeiro. Durante o período imperial, salvo a conversão das escolas de formação em cursos universitários e algumas políticas voltadas à melhoria do saneamento da capital do país, nenhuma mudança significativa ocorreu.
O período compreendido entre a Proclamação da República e o início do primeiro governo de Getúlio Vargas, 1889 a 1930, foi marcado por restruturações significativas nos centros das grandes cidades brasileiras e pela ação firme dos sanitaristas. As reformas tiveram por objetivo a melhoria das condições sanitárias das zonas urbanas, especialmente no entorno das áreas portuárias. O período foi marcado pela implementação das primeiras políticas voltadas à imunização de grandes contingentes populacionais.
De 1930 até 1964, houve avanços nos segmentos de saúde pública e previdência. A legislação trabalhista do governo Vargas assegurou benefícios relativos à saúde e no período foi criado o Ministério da Saúde. Serviços médicos e atendimento hospitalar alcançaram maior abrangência, especialmente nas classes trabalhadoras. Os primeiros planos de saúde estabeleceram-se no Brasil, resultantes da união de recursos de empresas e funcionários de alguns setores produtivos. As Conferências Nacionais de Saúde realizadas nos anos 1960 despertaram para a necessidade de atenção às zonas rurais e para a universalização do direito ao atendimento médico e serviços hospitalares.
De 1964 a 1985, período do regime militar, houve redução das verbas destinadas à saúde pública e os temas suscitados nas Conferências Nacionais foram temporariamente esquecidos. Nem o crescimento econômico da época logrou impedir o avanço de epidemias e aumento da mortalidade infantil, resultado da pouca efetividade das políticas sanitárias e de saúde. Contudo, uma importante evolução da época foi o amadurecimento da ideia de municipalização dos serviços primários de saúde.
A abrangência dos serviços de saúde como a percebemos hoje foi alcançada a partir de 1988, ano da promulgação da Constituição vigente. Com as bases para a implantação do Sistema Único de Saúde, regulamentado por norma federal publicada em 1990, a legislação e consequente criação da agência estatal reguladora da saúde suplementar e a previsão legal que suporta a participação privada nos serviços municipais de saúde e assistência social, o país alcançou o patamar atual de acesso a atendimento médico, hospitalização e imunização.
A considerável ampliação da rede de atendimento médico e a crescente participação de entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, na gestão e prestação direta de serviços estabelece um cenário promissor para a atuação de profissionais de saúde, administração hospitalar e atividades correlatas.
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