Estabelecida em 2014, a data comemorativa visa a homenagear os voluntários doadores e conscientizar acerca da importância do ato. Anualmente, milhões de procedimentos médicos são viabilizados graças a este gesto, símbolo de altruísmo e solidariedade. A data foi sugerida pela Organização Mundial de Saúde em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, pesquisador austríaco que descobriu o fator Rh e realizou estudos das diferenças entre os tipos sanguíneos.
A compreensão acerca da circulação do sangue remonta ao século XVII, mais precisamente à década de 1610, período em que o médico britânico William Harvey descreveu com razoável precisão o sistema circulatório e o bombeamento pelo coração. A continuidade das pesquisas sobre a circulação sanguínea ensejou as primeiras experiências de transfusão, ainda no século XVII. Inicialmente, foram realizadas entre animais e convertidas posteriormente em procedimentos heterólogos, envolvendo espécies diferentes. Na década de 1660 aconteceram as primeiras tentativas de transfusão com humanos, contudo, registros de reações adversas e mortes por incompatibilidade resultaram na proibição da prática em quase todo o mundo.
As primeiras conquistas
No final da década 1810, o sucesso de transfusões do tipo autóloga, quando o receptor é o próprio doador do sangue, serviram de incentivo ao pesquisador britânico James Blundell para uma experiência envolvendo humanos. É atribuída a Blundell a primeira transfusão homóloga humana, no ano de 1818. Seguiram-se alguns avanços nos métodos de transfusão e armazenamento de sangue coletado, mas incidentes decorrentes da incompatibilidade entre doador e receptor continuavam a ser registrados.
A descoberta que possibilitou realizar transfusões com segurança é creditada a Karl Landsteiner, o pesquisador cuja data de nascimento é lembrada no Dia Mundial do Doador de Sangue. Landsteiner identificou tipos sanguíneos e percebeu que a associação de quantidades de sangue de mesmo tipo, ainda que originárias de pessoas diferentes, não produzia danos às celulas. Em 1930, Karl Landsteiner foi agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, em virtude da classificação dos tipos sanguíneos e descoberta do fator Rh. A evolução das pesquisas com anticoagulantes e melhoria dos métodos de refrigeração e armazenamento propiciaram a criação dos primeiros bancos de sangue antes da Segunda Guerra Mundial.
O cenário no Brasil
No Brasil, embora haja relatos de transfusões bem sucedidas ainda na década de 1910, os primeiros bancos de sangue foram implantados apenas nos anos 1940, nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife. Com relação a políticas públicas voltadas a incentivar pesquisas e disciplinar as ações de hemoterapia, apenas em 1964 acontece a primeira iniciativa, com a criação da Comissão Nacional de Hemoterapia, vinculada ao Ministério da Saúde, e a implementação da Política Nacional de Sangue, vigente até 1976. Embora os primeiros bancos de sangue fossem públicos e houvesse atos regulatórios instituídos por órgãos estatais, parte considerável das doações era remunerada, condição definitivamente banida no Brasil com a Constituição Federal de 1988. Atualmente, vigora a Política Nacional de Sangue, Componentes e Hemoderivados e os dispositivos reguladores das atividades ligadas à hematologia e hemoterapia derivam da Lei 10.205/2001, incluindo os atos do poder público que implantaram e disciplinam a Hemorrede – Rede Nacional dos Serviços de Hematologia e Hemoterapia.
A doação de sangue no Brasil
A parcela da população brasileira atual que doa sangue com regularidade é inferior a 2%. Aproximadamente 3 milhões de transfusões são realizadas no Brasil anualmente. A demanda por sangue é crescente, mas os estoques têm registrado redução. De 2016 a 2020, a quantidade de bolsas coletadas no país reduziu-se em 4%. Esse desequilíbrio entre níveis de coleta e quantidades de transfusões impõe que a celebração do Dia Mundial do Doador de Sangue seja voltada essencialmente à conscientização. E RMS produziu este texto para incentivar a seguinte reflexão: há mais de cem anos que o mundo consegue realizar transfusões de sangue com segurança, mas há tão poucos doadores regulares e os profissionais de saúde e bancos de sangue lutam para manter estoques aceitáveis.
A RMS apoia a causa
Doar sangue é um gesto de solidariedade e promoção da vida. Uma ação simples e rápida, mas com um significado gigantesco. Para ser doador, precisa ser maior de 16 anos, ter menos que 69 anos e pesar 50 kg ou mais. Não há risco de contágio de doenças e os centros e profissionais especializados na coleta de sangue adotam todos os cuidados preventivos quanto à Covid 19. Ninguém fica debilitado por doar sangue e algumas poucas horas de repouso tornam o doador apto a retomar as atividades regulares. A Hemorrede do Brasil dispõe de mais de duas mil unidades em território nacional. Doar sangue é salvar vidas. Doe e auxilie na divulgação deste propósito.
