O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, celebrado anualmente em 10 de novembro e instituído através de portaria do Ministério da Saúde, tem por objetivo a conscientização acerca da importância dos cuidados com a saúde auditiva, da adoção de condutas preventivas da perda da audição e dos impactos da surdez sobre pessoas e sociedade. 5% de toda a população brasileira sofre de perda auditiva em grau considerado incapacitante. Mais de 2 milhões estão em condição classificada como “severa”.
A perda auditiva pode ter razões de ordem genética, ser causada por doenças infecciosas, traumas, enfermidades durante o período gestacional, complicações no parto, infecções graves do ouvido, exposição excessiva a ruídos sem a devida proteção, reações medicamentosas, dentre outras fontes. O envelhecimento também pode contribuir para a redução da acuidade auditiva. A perda da audição costuma ser classificada como congênita ou adquirida. Segundo a OMS Organização Mundial da Saúde, 9% do total de casos é de caráter congênito e 91% são adquiridos. Aproximadamente metade dos quadros de surdez congênita tem origem genética. Parte considerável dos episódios não genéticos são resultantes de doenças que acometem o bebê durante a gestação, como rubéola, toxoplasmose, sífilis, herpes e vírus HIV. Há muitas fontes possíveis para a surdez adquirida, porém, estima-se que 60% dos casos sejam evitáveis, desde que adotados meios corretos de prevenção ou havendo diagnóstico precoce associado a tratamento adequado. Alguns quadros de perda auditiva teriam seus efeitos minimizados com a intervenção atempada e eficaz.
Dados sobre perda auditiva na população
– Aproximadamente 460 milhões de pessoas no mundo sofrem de algum grau de perda auditiva considerada incapacitante; 34 milhões delas são crianças.
– A previsão da OMS para o ano de 2050 é de 2,5 bilhões de pessoas no mundo com algum nível de perda auditiva; 900 milhões com grau classificado como incapacitante, o equivalente a 10% da população estimada do planeta.
– A OMS alerta que 60% dos casos de perda auditiva estimados para 2050 podem ser evitados com ações preventivas.
– Cerca de 1 bilhão de jovens com idades entre 12 e 35 anos correm risco de sofrer danos irreversíveis na audição, principalmente pela alta exposição a ruídos emitidos por aparelhos eletrônicos ou em ambientes recreativos e eventos.
– A surdez congênita afeta 1 a cada 400 recém-nascidos.
– 10 milhões e meio de brasileiros sofrem de algum grau de perda auditiva; 2,3 milhões apresentam deficiência considerada severa.
– Segundo a OMS, há um déficit de uso de aparelho auditivo de 83%, ou seja, dentre todos com perda auditiva incapacitante, apenas 17% usam o equipamento.
– A OMS estima em 750 bilhões de dólares anuais os prejuízos decorrentes da perda auditiva não corrigida; o valor estimado incluiria custos do setor de saúde, custos de suporte educacional e perdas por incapacidade laboral.
Reflexos da surdez
A deficiência auditiva repercute na qualidade de vida, inserção social, cognição, rendimento escolar, empregabilidade, saúde mental. Nas crianças e jovens, a perda da audição impõe sérios obstáculos à linguagem, socialização, aprendizado, acesso a atividades desportivas e até mesmo ingresso em instituições de ensino. Nos adultos, as dificuldades de comunicação prejudicam o desenvolvimento de atividades acadêmicas, a colocação profissional e as relações de trabalho. A perda da audição em níveis considerados incapacitantes pode resultar em afastamento de atividades laborais, impossibilidade de acesso a serviços, eventos socioculturais, esportes, lazer. A involução do quadro conduz ao isolamento social e consequente desenvolvimento de doenças de ordem mental, como depressão, por exemplo. Nos idosos, o declínio cognitivo pode potencializar quadros de demência.
Prevenção
– Acompanhamento pré-natal contribui para evitar que infecções afetem o bebê, por isso, é imprescindível na prevenção da perda auditiva congênita.
– A triagem auditiva neonatal, conhecida como teste da orelhinha, realizada nos primeiros dias de vida, é essencial na detecção precoce de casos congênitos.
– Dificuldades de desenvolvimento da fala em crianças devem sempre ser investigadas.
– Devem realizar anualmente audiometria: pessoas com mais de 50 anos; trabalhadores de ambientes considerados ruidosos; pessoas com histórico familiar de surdez de origem genética; quem já detectou algum grau de perda de audição.
– Suspeitando de anormalidade na audição, procurar auxílio médico com a maior brevidade possível.
– Uso seguro de fones de ouvidos e prudência na regulagem do volume de aparelhos sonoros.
– Uso de equipamento de proteção individual sempre que houver exposição a nível elevado de intensidade sonora.
– Não introduzir objetos no canal auditivo, nem mesmo os destinados à limpeza das orelhas.
– Evitar automedicação e seguir rigorosamente as orientações médicas em qualquer tratamento, especialmente de doenças infecciosas.
– Evitar exposição prolongada a altos níveis de intensidade sonora; nas atividades recreativas e eventos, adotar intervalos para repouso de forma a se proteger dos ruídos.
– Manter hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular.
